O dia hoje começou cedo, pois partiríamos pra passeio de dia
inteiro já às 8 da manhã. Como fomos deitar um pouco antes das 23h, a noite
anterior não dormida foi relativamente bem recuperada. Impressionante como o
silêncio absoluto associado a um cansaço absurdo fazem a gente apagar
profundamente.
Todos os hóspedes tomaram café na mesma mesa, como uma
família. Isso é muito curioso e interessante porque aproxima as pessoas. Dá uma
quebrada de gelo. Se bem que, com a Julia e a Otily no mesmo lugar, não há gelo
que precise ser quebrado. Foi um encontro de almas no mundo das relações
públicas com essa brasileira e essa canadense juntas no Atacama! Rs.
Não pude interagir
muito, pois tive de correr que nem louca. Resolvi lavar o cabelo de manhã e
brrrrr... isso me atrasou bastante. De desayuno, temos leite, chá, pão,
presunto, queijo, tomates descascados e sem rodelas, refresco, cereais e salada
de frutas. Além disso, a Mari, que cuida de várias atividades do albergue,
prepara ovos mexidos pra nós, conforme a demanda. Ela é uma querida e paparica
a gente o tempo todo. Disse que não podemos sair sem comer e que as brasileiras
são sempre as mais bonitas do albergue. Não sei porque, mas concordei
totalmente com as duas afirmações. Saí satisfeita de estômago e ego! Hehehe.
Fomos direto para o Salar do Atacama, com todos os detalhes
sendo narrados por um guia muito gente boa. Seu nome era Jaime e ele tinha
muito mais carisma e simpatia do que o guia do dia anterior. Falava mais
devagar, olhava nos olhos do público e parecia sinceramente gostar do que estava
falando. Simples assim!
Foi uma constatação unânime de que todas as fotos que vimos
sobre o Atacama fazem totalmente jus às paisagens. O que se vê nos sites sobre
o destino não são imagens trabalhadas. As cores são daquele jeito mesmo. Parece
um cenário de sonho, com tudo estranhamente perfeito. Do azul profundo do céu
aos tons de terra e bege dos morros e planícies. Tudo numa composição
perfeitamente harmoniosa. Beira o monótono, pois parece algo montado em
computador. Mas aí é só lembrar que se trata de uma paisagem real pra você ficar
de novo chocado com tanta beleza.
O sal compõe uma textura irreal. São distâncias enormes com formações
em um solo que a cabeça só entende como podendo ser alienígena (desculpem a
insistência, mas não há definição melhor).
Distantes dos pontos de observação, ficam os flamingos
rosados. Há três tipos que o guia explicou cuidadosamente. As diferenças estão
nas cores das plumagens e das patas. Ouvi educadamente, mas pra mim, são todos
lindos e é o que importa.
Depois, partimos pras Lagunas Altiplânicas, que ficam numa altitude
de 4080 metros. Tão lindas quanto impressionantes, elas dão uma certa angústia.
É que não se pode chegar perto sob o risco de destruir ovos de uma espécie
local. A razão é super justa e respeitável, mas o fato de estarmos tão perto e
tão longe daquelas águas lindas só colabora pro clima de sonho.
Aliás, só o frio cortante pra ter certeza de que estamos no
mundo real. Esse não deixa dúvidas! É sair do ônibus pra tiritar naquele vento
gelado e seco. Alguns poucos lugares são mais quentinhos, daí a gente fica
descascando roupas que nem banana. Já descobri que o macete é ver com quantos
casacos o guia sai do ônibus. Descobri meio tarde, mas vale pros próximos
passeios.
Depois, tivemos um almoço bem simpático com sopa de legumes
como entrada, seguida de arroz, frango assado, tomate (único com casca até
agora), batatas comuns, batatas roxas e quinoa. De sobremesa, gelatina com
creme de leite. Simples, mas super saboroso. Se bem que com a fome e frio que
eu sentia, acho que bastava estar quente!
Depois do almoço, seguimos pra um povoado chamado Toconao,
onde vimos uma igrejinha local. A cidade estava deserta e descobrimos que
estava acontecendo um enterro. Daí a pouco, passou um cortejo pela ruazinha ao
lado. Provavelmente, com todos os habitantes de Toconao. Impressionante imaginar
a vida daquelas pessoas num lugar tão inóspito e afastado. Mais ainda se
imaginarmos os povos que viveram ali sem as facilidades que conhecemos.
Voltamos pra San Pedro por volta de 17h e fomos tentar
agendar o passeio do observatório. Fizemos amizade com uma inglesa, Lea e uma
australiana, Fiona, no ônibus e foram elas que nos indicaram a agência. Será no
dia 27, de 21h às 23h30. Estamos super empolgados, pois todos os sites sobre o
Atacama dizem ser imperdível!
Depois, fomos direto pro Tinti, restaurante aonde almoçamos
no primeiro dia, e tratamos de fazer um jantarzinho regado a vinho. Comi metade
de um sanduíche enoooooooooooorme, feito com carne, vagem e ají (que é tipo um
chili).
Estou caprichando mais neste post porque amanhã teremos uma
colher de chá e vamos dormir até 8:00. É que só temos passeio marcado de tarde,
mas aproveitaremos pra conhecer o museu arqueológico pela manhã.
Hasta la vista, baby!




lindasssssssssssssssss, obrigada!!!!!!
ResponderExcluirAaaaahhhh, eu quero ver um Flamingo!
ResponderExcluirPouco a acrescentar depois desta descricao perfeita feita pela Ana. Tudo eh muito bonito e interessante. Se andamos normalmente nao sentimos o ar rarefeito, mas basta uma subidinha que...ai, que cansaco!
ResponderExcluirPegamos bicicletas e fomos passear no dia seguinte pela manha(quando escrevo agora). Eu acabei voltando pra cidade pra fazer um passeio mais light e relaxante...rsrs