quinta-feira, 31 de maio de 2012

Sétimo dia - 28 de maio: passeio a cavalo e jantar de despedida


Naquele que foi o nosso último dia inteiro no Atacama, resolvemos fazer um passeio diferente. Decidimos andar a cavalo pela região, num passeio oferecido pela mesma agência que nos alugou as bicicletas.

A Julia e seu pai teriam de estar prontos para o traslado às 15h, portanto, pouco antes das 9:30, nosso grupo de 5 pessoas (nós quatro mais nosso guia-amigo Jaime) encontrou-se na agência do Fernando e seguimos caminhando até onde nos esperavam os cavalos.

Lá, conhecemos o Robin, que era o responsável pelos animais e que seria nosso guia ao longo do passeio. Fomos, um a um, montando nos animais. Os mais dóceis foram escolhidos pra mim e pra Isabela. Eu não tenho experiência e ela estava fazendo seu début na equitação.

Logo de cara, não fui muito com a cara do Robin. Ele deu meia dúzia de broncas na Isabela, cujo cavalo simplesmente não obedecia, dizendo “Usted tiene que relajAAAAAAAAAAAAAr!”. Imagine isso pra quem está montando pela primeira vez na vida!!! Obviamente, alguns movimentos mais bruscos do cavalo a assustavam e ela deu alguns pequenos gritos. Daí ele berrava com ela “No griEEEEEEEEEEEEEs!”. A Julia se aventurou em alguns galopes e sobrou pra ela também. Não lembro qual foi o sabão, mas dizia a respeito de não correr com o animal porque os outros iriam acabar querendo segui-lo e nós não teríamos experiência pra controlar.

Fiquei preocupada se o passeio seria bacana, mas depois de 15 minutos, todos nós acabamos nos acostumando uns aos outros e comecei a me divertir com o jeitão do Robin. Percebi que o cara era gente boa e preocupado com a segurança. Sua única questão era estar mais acostumado a lidar com cavalos do que com gente. Daí acabava tratando os dois do mesmo jeito.

Desde o início do passeio, um cachorro grande, cor de areia, parecendo um labrador, nos acompanhou. Achei que ele fosse se cansar, mas que nada! Em determinado momento, o cavalo da Júlia resolveu ficar meio nervoso, querendo ir muito rápido. Garú, conforme nos explicaram ser o nome de el  perro, tascou uma mordida no focinho do animal e o deixou calminho num instante. Foi aí que nos explicaram que ele tinha meio que esse papel mesmo. O de controlar os cavalos.

Passamos por lugares lindos de paisagem desértica e povoados nos arredores de San Pedro. Fiquei me sentindo num filme do Sergio Leone e, em certo momento, comecei a ter a ter um certo controle do Diamante, meu cavalo. Digamos que ele fazia o que queria, do jeito que eu queria. Todos curtirmos muito, inclusive a Isabela, que teve sua primeira experiência em grande estilo.

Depois do passeio, todos fomos tomar uma cerveza com tábua de carnes na Praça de San Pedro. A essa altura, o Robin já estava super descontraído e chegou até a brincar com a esquila da Júlia, um bichinho de pelúcia que ela ganhou do namorado, ainda em Santiago, e que virou personagem da nossa viagem. Luna, como foi batizada, ganhava uma foto em quase todo destino aonde fomos nessa viagem. Naquela ocasião, não foi diferente.

Não apenas no passeio a cavalo, mas também durante a confraternização que veio depois, Garú ficou do nosso lado. Na praça, trocou o papel de cachorro pastor de cavalos por cachorrinho carente, ganhando vários chamegos de nós e tirando sonecas confortáveis sob o sol.

Voltamos para o hostel, tiramos as roupas pesadas de tanta terra e tomamos nossos banhos. Mirando-me no espelho, percebi como eu parecia ter tomado uma dose enorme de betacaroteno ou feito bronzeamento artificial, pois eu estava absolutamente laranja de terra. Meu cabelo também estava duro! Não sem motivos, a água descia terrosa pelo ralo.

Demos uma descansadinha e nos despedimos da Júlia e de seu pai. Logo em seguida, eu e Isabela partimos pra um almoço bem relax, como primeira parte da despedida de San Pedro do Atacama. Havíamos combinado por e-mail de jantar com nossa amiga alemã, Ruth, que conhecemos por meio do Michiel, e não queríamos comer muito.

Paramos no La Eskala, um restaurante muito simpático que ficava na calle Caracoles. Pedimos sucos de fruta e, de cortesia, nos serviram queijo de cabra com crosta caramelada de côco. Apesar de um pouco salgada, estava um espetáculo! A Isa pediu uma massa e eu fui de tabule de quinoa. Maravilhoso!




Ficamos passeando pela cidade um pouco. A Isa ainda estava se recuperando da maratona do dia anterior e preferiu retornar ao hostel pra descansar. Eu ainda fiz uma visita rápida ao museu arqueológico e dei uma passadinha na feira, pra comprar quinoa. Ficou a intenção de catar uma receita na internet pra aquela delícia de tabule.

Às 20h em ponto, conforme combinado, Ruth estava no nosso hostal. Seguimos para um restaurante mais dos locais, que foi indicado a ela por alguém do albergue. Não era decorado com tanto cuidado, mas não menos aconchegante ou delicioso por isso. Tomei uma deliciosa cazuela, típica sopa chilena, com legumes e carnes e depois dividimos um strudel. Ainda tomei um chocolate quente, pois ainda tinha as lembranças geladas do dia anterior me assombrando.


A Ruth é uma ótima companhia e contou várias situações sobre a Alemanha depois de 23 anos sem Muro. Combinamos de manter contato e combinar futuras viagens Alemanha – Brasil.

Fechamos a estada em San Pedro de Atacama com chave de ouro!


Sexto dia - 27 de maio: Passeio em San Pedro e Tour Astronômico

Depois da experiência traumática que tivemos mais cedo, com os Geiseres, minha expectativa com o tour astronômico aumentou ainda mais. Havíamos feito uma reserva, mas seria preciso confirmá-la na agência Space no mesmo dia. Assim, resolvemos fazê-lo logo após o almoço.

Depois de esquentarmos um pouquinho no Hostel, partimos para o Inti Sol, que foi confirmado como o restaurante de melhor custo-benefício da região. Lá, eu tomei uma deliciosa cerveza Corona e pedi um dos menus do dia: salada, frango com molho de champignon com batatas coradas e uma torta de côco. Tudo estava absolutamente divino e fiquei muito feliz de já estar com o corpo quentinho e, depois do almoço, com a alma aquecida também.

Quando passamos na agência, ela estava fechada. Demos uma olhada em volta e, fora os restaurantes, praticamente todos os estabelecimentos diziam estarem “cerrados” até 5 da tarde. Demos uma paradinha para um cappuccino num Café super interessante e nos divertimos com um gatinho carente que parecia morar por lá. Com tudo isso, nós que havíamos decidido recuperar o sono de tarde, acabamos só retornando umas 16:00.

Chegando no Campo Base, tomei um banho obviamente escaldante (o banheiro tinha mais vapor do que os gêiseres) e fiquei blogando debaixo dos cobertores, curtindo aquele calorzinho, como quem se recupera de um stress pós-trauma. Fiquei nesse relax até umas 17h, quando  pedi ao Hector que me ajudasse a ligar pra agência Space pra sabermos se poderíamos confirmar pelo telefone. Pensei que poderíamos pagar quando fôssemos jantar. Resumindo muito, quando finalmente conseguimos falar com a agência, ninguém mais atendia. Fiquei muito frustrada, achando que não deveria ter saído da cama naquele dia.

Pontualmente, às 19h, apareceram no Campo Base o holandês Michael (que descobri se chamar, na verdade, Michiel) e a alemã Ruth, que havíamos conhecido pela Fiona e pela Lea, conforme contei no post sobre o jantar multicultural. Nós tínhamos combinado de jantar com eles e, como não podia deixar de ser, os brasileiros estavam atrasados, enquanto os europeus chegaram na hora certinha.

Muito envergonhada, pedi que já fossem pro restaurante aonde tínhamos decidido jantar. Assim, poderiam tomar um drink enquanto terminávamos de nos aprontar. Quinze minutos depois, chegamos pra acompanhá-los. Afinal, tardamos, mas não falhamos!

Michiel contou que havia conseguido uma vaga no tour astronômico e que deveríamos ir no ponto de encontro, às 20:50, pra tentarmos uma vaga na hora também. O Jaime, nosso guia de vários passeios, que estava jantando conosco, conseguiu ligar pra algumas pessoas de seu conhecimento e disse que poderíamos pagar em dinheiro, na hora. Eu e Isabela vibramos com a manutenção do programa. A Júlia e seu pai estavam muito cansados e preferiram não ir.

Chegamos no local orientado na hora certinha e deixamos todos entrarem primeiro no ônibus pra explicar ao motorista nossa situação. O diálogo segue abaixo:

Ana Paula perguntou: “Holla, buenas noches. Como estás? Puedo hablar em Inglês?”
Motorista respondeu eloquentemente: “No.”
Ana Paula, perguntou: “Nosotros he hecho reservación para tour hoy a las nueve, pero la agencia estava cerrada. Hablamos com una persona que nos dice que podríamos ir al tour astronômico, pero pagaríamos aqui. OK?”
Motorista respondeu eloquentemente: “Si.”
Ana Paula perguntou: “Entonces son 18.000 pesos por persona, correcto?”
Motorista supirou e respondeu: “Sabes que hay un tour en Ingles a las 22 horas?”
Ana Paula pensou: “Hijo de uma égua! Tá sacaneando meu esforçado portuñol!” Mas só respondeu: “No hay problema. Nosotros no hablamos bién, pero escuchamos bién.”
Motorista, com expressão sarcástica: “OK.”

Fomos eu, Isabela e Michiel rindo muito no banco de trás do ônibus, que nem a “turma da cozinha” em transporte escolar, até que chegamos ao local do observatório.

Na verdade, o local é mantido por um astrônomo francês e sua esposa. Eles possuem cerca de 12 super telescópios num local super bem localizado no deserto para a visualização do céu. Assim que descemos do ônibus, percebemos que a visibilidade era muito melhor do que a de San Pedro. É uma pena que não possamos registrar com fotos, mas, mesmo a olho nu, somos capazes de ver diferentes tamanhos e cores das estrelas, além de nebulosas, que depois nos foram explicadas como parte da Via Láctea. Um espetáculo!

Toda a explicação teórica foi feita em pé, a céu aberto. É bastante frio e eles distribuem mantas pras pessoas. A esposa do astrônomo (vergonhosamente, não sei o nome de nenhum dos dois) utilizava um laser point, onde sinalizava cada uma das estrelas e constelações a que desejava se referir com destreza e agilidade enormes. Ela falava muito rápido, mas devia ser muito engraçada porque todo mundo riu várias vezes de alguns de seus comentários. Eu sempre ria junto pra não parecer antipática, ou pior, burra, mas confesso que não entendia nada. A Isabela depois falou comigo que também não compreendeu praticamente nada. O Michiel parece ter entendido ou fingiu muito bem, porque passou o tempo todo acenando com a cabeça e fazendo “aham... aham... aham...”. A Isabela não acha que isso tenha sido sinal de entendimento da parte dele, mas nada além de um tique nervoso. De qualquer forma, eu quase pedi a ele que me traduzisse, mas achei muito humilhante a brasileira pedir legenda de espanhol pro holandês.

Depois das explicações, partimos para os telescópios. Vimos os anéis de saturno, nebulosas, uma quantidade impressionante de estrelas e... a Lua! Nesse momento, o astrônomo francês já estava presente e nos ajudou a registrar em fotos as imagens que víamos. Coloquei algumas neste post.

Ao fim da demonstração, todos nos dirigimos para dentro de uma sala meio rústica, com o teto vazado no centro, para que pudéssemos ver o céu. Sentamos em banquinhos e nos foram distribuídas canecas com chocolate quente. Nesse momento, o astrônomo fez uma pequena palestra. O espanhol dele era mais fácil de entender e foi bem interessante, apesar de já ser quase meia-noite e nós termos acordado às 3 da madrugada. No fim, eu já estava quase batendo cabeça, mas deu pra registrar um comentário bastante interessante feito por ele. Disse que a noção do universo tem a ver com a disponibilidade tecnológica no momento. Segundo ele, assim foi com os grandes navegadores, Galileu e está sendo conosco.

Retornamos absolutamente exaustas e caímos duras de sono! No dia seguinte de manhã, havia um passeio de cavalo programado. Ufa!







segunda-feira, 28 de maio de 2012

Sexto dia - 27 de maio: Geiseres Del Tatio

Uma vez, um amigo comentou que achar curioso que no meu blog anterior, o Meu Véio Mundo, eu falasse de minhas viagens como se não houvesse qualquer perrengue. Fiquei refletindo na época, pensando se isso acontecia porque eu não dava importância às experiências negativas ou se simplesmente não queria registrá-las. Concluí que se trata de um pouco dos dois, mas, no caso do Mi Alma Viajera, vale contar sobre um programinha em que fui com 5 calças, 7 casacos, 4 meias, um cocar, um arco e uma flecha: os Gêiseres Del Tatio.

A quem estiver lendo este blog como pesquisa para uma futura viagem ao Atacama, vale dizer que este meu comentário reflete uma experiência totalmente pessoal, pois o passeio é considerado como um dos mais interessantes aqui na região. Inclusive, aqui no hostal em que estamos, há vários hóspedes que o adoraram.

Não há como negar que o fenômeno é interessantíssimo e, pra quem vai devidamente preparado (tanto em roupas, quanto em espírito), se deslumbra com a visão dos vapores sendo expelidos com do solo com pressão, em meio ao cenário de areia, neve e sal que ambienta esta terra. No entanto, pra alguém como eu, o passeio foi muito desgastante.

Quando digo “alguém como eu”, refiro-me a um probleminha que tenho. Posso resumi-lo dizendo que sinto frio antes de todo mundo e sinto muito mais frio do que todo mundo. Portanto, quando me disseram que os Geiseres Del Tatio era um passeio em que se sofria com as baixas temperaturas, tratei de me cuidar.

 Vesti 2 meias-calças de lã, 2 calças térmicas e uma calça de veludo. Pra parte de cima, foram 1 blusa térmica, uma blusa de malha com mangas compridas, 3 suéteres de lã com gola rulê, 1 casaco de lã de alpaca e um anorak. Para os pés, além das meias-calças de lã, usei também uma meia térmica e uma meia de lã de alpaca comprada justamente para a ocasião. Na cabeça, foi uma faixa de lã para as orelhas, um gorro de lã, mais o gorro do próprio casaco de lã de alpaca, além do anorak por cima de tudo. Para as mãos, luvas térmicas e luvas de couro com revestimento. Além disso, alcei também meus tênis cano alto, que são feitos de um material técnico para trilha e foram comprados pra esta viagem. Ou seja, ninguém pode dizer que não fui precavida!

Pois bem, acordamos às 3:15 da manhã, pois o ônibus nos buscaria às 4 horas. Até aí, nem vejo tanto problema. Sou super partidária de esforços extra em viagens que tenham como recompensa uma experiência diferente. E a razão que se tinha para este horário era super válida. Segundo as agências, é preciso chegar no local ainda com o sol escondido. Assim se presenciaria o fenômeno em seu horário mais intenso.

O problema é que a falta do sol mais a subida na altitude foram deixando o ônibus cada vez mais gelado. Fiquei conferindo o termômetro do painel e, quando ele começou a apontar 5 graus, eu já estava tiritando de frio sob todas aquelas camadas de tecidos supostamente adequados para aquecimento e mais uma manta térmica que pegamos emprestado do hostal.

Ao chegarmos no local, sinalizaram que estava fazendo 8 graus negativos. Eu me lembro de ter pego 14 graus negativos em Bariloche, mas, na época, eu vestia roupas para a NEVE, Deus do Céu! Por que esse povo não aluga esse tipo de vestimenta pra esse passeio. Ao menos para brasileiros! OK, ao menos para cariocas! OK, ao menos para MIM, então!

Saí do ônibus já congelada, mas tentei ao máximo manter a classe e acompanhar respeitosamente as explicações do nosso guia Jaime. Ele mostrou diferentes tipos de gêiseres: aqueles que só expeliam vapor, aqueles que expeliam vapor e água, aqueles que faziam pocinhas d´água e tudo o mais. No entanto, a partir da terceira frase, eu só conseguia pensar em quando iria sentir os dedos dos meus pés novamente. Depois do passeio, ainda fiquei firme do lado de fora do ônibus, tomando um leite com chocolate, sanduíche e ovos cozidos no vapor dos gêiseres. Talvez, se eu tivesse feito como as meninas, que tomaram o desayuno no ônibus, eu tivesse conseguido aproveitar mais o passeio. Mas fato é que eu havia chegado no limite do meu perrengômetro. Acabado o lanche, entrei correndo no ônibus e lá fiquei esfregando os dedos dos pés, tentando retomar a circulação dos pobres durante um bom tempo.

Quando chegamos às piscinas térmicas, eu já estava no auge do meu mau humor. Ainda consegui pensar que, se tivesse uma tesoura ou uma faca, cortaria a ponta das meias-calças pra poder mergulhar aquilo que um dia havia sido pés na água quente. Mas como eu não tinha esses acessórios “super fáceis” de encontrar no deserto, fiquei remoendo minha falta de planejamento junto com minha pré-hipotermia.

Quem entrou na água parecia estar se divertindo muito. Eram mais homens do que mulheres, que são naturalmente mais friorentas, mas havia algumas guerreiras que se aventuraram a aparecer de biquíni ou maiô. Confesso que fiquei com uma invejinha branca do equilíbrio térmico daqueles organismos mutantes.

De onde estávamos, era possível ver os gêiseres espirrando água e vapor das entranhas da Terra, ainda bem de perto. Eram tão ou ainda mais lindos do que na hora em que havíamos chegado, com a diferença de que havia sol, luz e, consequentemente, aquele lindo céu azul atacamenho. Não sei a duração do fenômeno é inconstante e é preciso chegar àquele horário pra garantir sua visão, mas fato é que, naquele momento, todo o esforço parecia sem sentido e eu só queria saber de ir embora.

Chegamos de volta ao Campo Base Hostal em torno do meio-dia. Quando entramos, várias pessoas perguntaram o que eu havia achado do passeio e quase dourei a pílula, até pra tentar melhorar a coisa na minha cabeça. Mas preferi assumir minha frescura e dizer que não gostei.

Perdona, gêiseres, mas prefiro baixar suas fotos da internet e vê-las debaixo do meu edredom!







domingo, 27 de maio de 2012

Quinto dia - 26 de maio: Monges de La Pukaña e Salar de Tara


No quinto dia, acordamos cedo e, às 8 da manhã, nosso guia Carlos chegou para nos levar a nosso próximo destino insólito: Monges de La Pukaña e Salar de Tara. Já tínhamos conhecido o Carlos de outro tour, quando ele fez as vezes de motorista do microônibus e já tínhamos percebido como ele era uma figuraça. Tem um humor super inteligente, com tiradas que nos fazem morrer de rir. Aquele tipo sarcástico do bem que eu tanto adoro. Desta vez, ele levou seu filho Carlitos, que, como o próprio nome sugere, era uma miniatura do pai. Além do tamanho, a única diferença é que enquanto o pai era um gozador, o menino era extremamente tímido. Mas era igualmente fofo!

O passeio foi longo, cheio de “perrengues”, mas muito interessante. Passamos por lhamas e diversas versões da linda combinação terra, vulcões e neve até chegarmos nos Monges de La Pukaña. São rochas que parecem ter sido colocadas ali, no meio de uma planície árida e uniforme, como uma escultura modernista de um Deus caprichoso. Nosso guia, em um de seus raros momentos sérios, explicou que aquelas rochas são provenientes de material vulcânico desgastado pela ação do vento. Mostrou, inclusive, resquícios de musgo nas pedras, ainda reminiscentes de quando aquilo foi um lago.

O Salar de Tara fica a mais de 4.000 metros, de forma que tivemos de manter a receita de água e chá de Coca pra não sentirmos muito os efeitos da altitude. O efeito colateral óbvio disso é ter vontade de fazer xixi o tempo todo. E dá-lhe eu, Isabela e Júlia catarmos um cantinho mais deserto (dãããã) pra resolvermos nosso problema. E haja perrengue pra deixar o buzanfã desabrigado das 3 calças que eu estava vestindo pra fazer xixi no vento! Isso nos rendeu muitas risadas.

Depois de cerca de 2 horas de viagem, chegamos ao Salar de Tara. Carlos disse que teríamos uma meia hora pra caminhar até que ele preparasse o almoço. Isso foi feito num abrigo que lembrava aqueles filmes americanos onde os sobreviventes de algum desastre encontram uma casinha abandonada no meio do nada. Carlos contou que adorava ir ao Salar de Tara porque durante 15 anos de sua vida ele passava 6 meses do ano naquele abrigo. Ali, com seu “abuelo”, ele tinha uma vida completamente afastada da civilização.

O almoço montado por ele foi macarrão, tomates, abacate, ovos cozidos e frango. Tudo já havia sido preparado anteriormente e ele só picou os tomates, os abacates e serviu numa mesa improvisada. Quer saber? Estava tudo uma delícia!

O Salar é espetacularmente lindo e, junto com aquele abrigo rústico, formou o cenário mais original e interessante da viagem. Mesmo tendo de fazer xixi ao vento gelado do Deserto do Atacama, valeu super a pena!





sábado, 26 de maio de 2012

Quinto dia - 26 de maio: Monges e Salar de Tara - fotos

Tenho muito a contar sobre o dia de hoje. Mas preciso acordar às 3 da manhã pra ir aos Geiseres del Tatio, ou seja, daqui a pouco. Temporariamente, vão só as fotos. Amanhã, escrevo com calma, porque não quero esquecer nenhum detalhe. Buenas noches!












Quarto dia - 25 de maio: jantar multicultural

Como todo mundo sabe, uma das coisas mais divertidas durante uma viagem é conhecer pessoas diferentes e, de uma forma geral, muito interessantes.

Já havia comentado da Otilie (agora com seu nome escrito adequadamente), a canadense extremamente simpática e falante que conhecemos no nosso albergue. Também já havia mencionado a Lea e a Fiona, que são, respectivamente, inglesa e australiana, a quem conhecemos durante um dos tours. Lea e Fiona conheceram-se numa viagem a Cuba e, via Facebook e outros meios digitais de comunicação, marcaram uma viagem de 6 meses pelo mundo. Simpaticíssimas, divertidas e interessantes, animaram muito nosso retorno do passeio em que conhecemos as Lagunas Altiplanicas. Marcamos de encontrar com elas no dia seguinte, num jantar no Adobe, que foi recomendado pela Isabela. Em suas pesquisas, ela soube ser um dos mais antigos e famosos de San Pedro. Excelente restaurante!

Pois bem, além desse grupo já bastante diversificado, juntou-se a nós um amigo da Fiona, Michael, que é holandês. Também veio a convite da Otilie, a Kara, que é do País de Gales e também está numa viagem de meses, uma empreitada que ela começou assim que se formou na faculdade. Mais tarde, também chegou o Jaime, o guia de dois tours nossos. Ou seja, o Chile também estava representado na mesa.

Boa comida, vinho e muitas risadas deram o tom da noite. Afinal, "hahaha" é um idioma universal pra alegria. Show de bola!


sexta-feira, 25 de maio de 2012

Quarto dia - 25 de maio: passeio de bike e Laguna Cejar

O dia foi incrível! Complementando ainda mais o contexto surreal e maravilhoso desta viagem, andamos de bike no deserto. Tá bem, numa auto-estrada (acostamento) e depois numa estrada de terra, mas ainda é deserto!

Não tenho condições de passar mais detalhes, mas resumindo, fomos com uma galera brasileira que conhecemos no albergue. O passeio durou cerca de 2 horas e meia. Eu e Júlia tivemos de retornar antes por causa de um tour previamente marcado para as 15 da tarde. Durante o retorno, paramos pra tirar fotos de duas alemãs, que estavam fotografando no automático. As malucas estavam no início de uma viagem de 1 ano pelo mundo inteiro. Conversamos brevemente, mas é muito interessante conhecer tantas pessoas diferentes e ousadas nesse lugar tão inóspito.

Depois almoçamos rapidinho num restaurante perto e depois partimos pra Laguna de Cejar. Ficamos apenas lá, mas, talvez por isso mesmo tenha sido um dos melhores passeios. Pudemos curtir o ambiente, descansar, rir e conversar.

Estou tentandoe escrever rápido porque estou exausta e amanhã acordo às 7h, mas não posso deixar de registrar nossa coragem, ao ficarmos só de bikíni naquele frio. Entramos numa lagoa 4 vezes mais salgada do que o mar, com temperatura gelada na superfície, mas quente no fundo, graças à atividade vulcânica. Impossível afundar na água, portanto é bem divertido boiar ali. Depois, saímos, nos secamos, trocamos de roupa fazendo cabaninha uma pra outra (brasileiros são muito criativos) e ficamos tomando Pisco Sour até a noite cair. Tiramos fotos maravilhosas, mas a maior parte não está na minha máquina. Fica pra outro post.