terça-feira, 12 de junho de 2012

Décimo terceiro dia - 3 de maio: visita à Lapostolle Clos Apalta

Acordamos cedo pra um dos passeios mais esperados na viagem: as visitas aos vinhedos! Começaríamos pela sofisticada Lapostolle Clos Apalta, que teve um de seus vinhos eleitos como o melhor do mundo pela seleção do sommellier Robert Parker, em 2008. Uaaaau! Bem, a vida fica mais simples quando alguém desse naipe já deu o devido lastro a algo que você está para experimentar, não é mesmo? Assim é só achar que está tudo maravilhoso!

Brincadeiras à parte, creio que não tenho paladar e tenho certeza de que não tenho bolso pra ser profunda conhecedora de vinhos. No entanto, meus dentes completamente roxinhos depois de uma refeição regada à bebida revelam como sou grande apreciadora do mundo de Bacco.

Deixamos as malas com o gerente do hotel e saímos num táxi que ele gentilmente havia pedido enquanto terminávamos o desayuno. Combinamos com o motorista, Danilo, de nos buscar no fim do almoço na Lapostolle, depois nos levar à rodoviária, quando compraríamos as passagens de volta para Santiago naquela mesma noite. Nossa intenção era ter feito isso já na chegada, mas pelo horário em que fomos desovadas daquele maldito ônibus, tudo na cidade já estava fechado.

Por fim, combinamos que por volta das 16h, o Danilo nos levaria na segunda vinícola, a Viu Manent. Duas horas depois, ele nos buscaria pra que pudéssemos chegar a tempo do outro expresso perrengue e retornar a Santiago. Em todo caso, eu tinha a intenção de estar com meus dentinhos roxos o suficiente pra não ligar tanto pra aquela viagem dos infernos.

A Casa Lapostolle tem uma arquitetura super interessante. Foi construída dentro de um morro (ou montanha, que fica mais metido à besta de falar), aproveitando a verticalidade do espaço pra facilitar a produção de seus vinhos. Assim, cada fase da produção acontecia em um andar diferente e descíamos pela escada pra conhecer cada um deles. Nosso guia, Fernando, era a gentileza em pessoa e eu fiquei me sentindo muito chique provando aqueles vinhos premiadíssimos, conhecendo uma vinícola de tanta tradição e, ao mesmo tempo, tão moderna.



Nosso tour foi feito num esforçado portuñol, pois além de mim e Isabela, todos os outros participantes eram também brasileiros. Tinha um grupo de uns 5 paulistas e outro grupo com uns 8 mineiros de Uberlândia. Os paulistas estavam curtindo numa onda parecida comigo e Isa, mais discretos e na deles. O grupo dos 8, no entanto, estava em outra vibe, infelizmente!

Falavam pelos cotovelos, muito alto. Riam muito alto. Corriam pras barricas e faziam poses pra fotos fingindo que estavam bebendo direto da torneira. Daí um gritava "Geraaaaaldo, tira uma foto minha assim... Agora troca, deixa eu tirar de você... Agora, Denise, vai lá você... Sandra, quer que tire? A Sandra quer. Vai lá, Sandrinha!". Nesse tempo todo, o pobre do guia e nós ficávamos esperando a tchurma montar o acervo que certamente iria povoar suas páginas de Facebook nas semanas seguintes.

Ficava até difícil de ouvir o Fernando explicar os detalhes, mas conseguimos saber como as uvas colhidas são despejadas nas barricas pelo seu topo e depois misturadas. Dentro dos recipientes, há serpentinas pra se manter a temperatura do vinho e, depois de pronto, mangueiras o transportam para o patamar de baixo.






Quando passamos para a última parte, onde os vinhos amadurecem nos barris de carvalho, fomos conduzidos a uma mesa enorme de vidro. Através dela, via-se uma escada sutilmente iluminada, que levava a uma adega repleta de garrafas. Fernando nos explicou que se tratava da adega particular da proprietária. Achei isso muito engraçado. Certamente eles deveriam ter outros lugares pra acomodar aquelas garrafas, mas era mais um símbolo que corroborava pro conceito de absoluta exclusividade daquela vinicola.

Os vinhos que provamos foram todos servidos sobre aquela mesa, circundados pelos barris que acomodavam milhares de litros premiados. Obviamente, o amigo do Geraldo não pode deixar de fazer a piadinha "Poxa, vocês não têm o telefone dessa dona, não? Queria fazer amizade com ela.". Devo confessar que, apesar de nossas diferenças, nessa hora, compartilhei dos interesses do moço.


Primeiro tomamos um Sauvignon Blanc, depois um Chardonnay, depois dois tintos com a mistura de uvas na proporção indicada pelo sommellier da casa. O último era o vinho que havia ganho o prêmio de melhor do mundo em sua safra de 2008. Isa, se eu falei alguma besteira, fique à vontade para me corrigir. Afinal de contas, eu bebi muito mais do que você. Hehehe.






Terminada a visita, fomos levados até o escritório, onde os vinhos são também comprados. Pagamos o valor correspondente à visita e também ao almoço que faríamos em seguida. Ele nos foi recomendado pelo tio do meu cunhado, que nos fez a gentilezaa de indicar todas as vinícolas, como excelente. Nesse momento, os amigos do Geraldo comentaram que haviam tentado fazer reserva pra esse almoço também, mas que já estava lotado. Pensei "Bacco é pai, não é padastro!!!", mas nessa hora, eu já tinha virado quase uma socialite de tão chique. Restringi-me a um olhar cúmplice para a Isabela, enquanto ambas falávamos "Noooooossa, que pena!".

Detalhes do hotel onde almoçamos, com paisagens deslumbrantes, decoração de Casa Cor e pratos deliciosos (fotografei silenciosamente tudinho, pois não sou amiga do Geraldo) ficam pro post seguinte.

Sempre sofro dessa síndrome quando o blog está acabando. Começo a espaçar os posts pra que os registros demorem mais a serem feitos. Bem ou mal, quando eu parar de falar da viagem, é porque terminou de verdade... :-(

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Décimo segundo dia - 2 de maio: Morgan B&B e La Sebastiana

Acordamos convencidas de que estávamos no Bed and Breakfast mais fofo do mundo! Tudo era milimetricamente cuidado, com detalhes que mulherzinhas bem mulherzinhas como Isa e eu simplesmente ADORAM. Arrumamos as malas que pouco desfizemos e descemos para o café da manhã. Finalmente, um desayuno batendo o do Atacama!

Num ambiente delicioso, estava posta uma mesinha pequena com pães, salada de frutas, suco de laranja, um bolinhos, geléias, manteiga e queijo. Assim que sentamos, Maria Eugénia, simpatia em pessoa, que parecia ser a dona do local, perguntou-nos o que queríamos: café, chocolate ou chá. Fomos de chocolate e a pobre da Isabela teve que me aguentar tirando fotos sem parar enquanto comíamos felizes da vida.





Deixamos nossas bolsas no Morgan e partimos pra La Sebastiana, casa onde Neruda viveu com sua segunda esposa. Utilizamos um áudio guia em Português que foi perfeito, explicando em detalhes cada ponto da casa de três andares. Assim como na La Chascona, na La Sebastiana estavam também as janelas amplas, valorizando uma vista indescritível, objetos colecionados, como o cavalo de madeira originário de um carrossel, muitas garrafas e ambientes bem humorados, como um banheiro com uma porta de madeira vazada. Achamos essa moradia ainda mais linda do que a de Santiago.







Na saída, aproveitamos o mirante em frente pra tirar fotos maravilhosas e pedimos informações sobre como poderíamos chegar ao Paseo 21, que nos foi indicado pela Adriana. Pegamos um ônibus num ponto bem pertinho e pedimos ao motorista que nos indicasse quando chegássemos ao elevador em que deveríamos saltar. Sim! Valparaiso tem vários elevadores ao longo da cidade, que foram sendo construídos de acordo com a necessidade da população. São bem baratinhos, mas são pagos.


Subimos pelo elevador e passeamos por um mirante bem bonito, cercado por uma feirinha de artesanías.



Já estava ficando tarde e ainda tínhamos de retornar a Santiago pra pegarmos nosso ônibus até Santa Cruz. No dia seguinte, faríamos nossas visitas pelos vinhedos! Assim, catamos algum restaurante pertinho pra almoçarmos.

Não demos muita sorte com um bistrô extremamente lento, onde dividimos um ceviche e comemos uma empanada, cada uma. Em todo caso, foi ótimo ter provado outra Austral. Neste caso, a Calafate, que era mais forte e tão deliciosa quanto a Lager que eu havia tomado no dia anterior.



A Austral Calafate foi a última experiência boa do dia porque, depois, disso, tivemos uma sucessão de perrengues. Havíamos tentado pedir um táxi no restaurante, mas os enrolados atendentes / donos disseram não ser possível. Descemos no elevador pra tentarmos pegar um táxi na parte baixa, que parecia mais movimentada, mas os poucos carros vazios eram dirigidos por motoristas que diziam não saber ir pra Cerro Alegre, aonde o Morgan B&B ficava.

Começou a ventar furiosamente e começamos a ficar extremamente preocupadas com o horário. Entramos num mercadinho e perguntamos como poderíamos ir a Cerro Alegre. A essa hora, já topávamos táxi, ônibus, lotação, mula, o que quer que fosse. A atendente, muito simpática, nos respondeu no habitual espanhol chileno ininteligível "abarabarabarabarabarabarabara... ya?". Diante da nossa expressão de desespero, uma turista com cara de alemã, disse num espanhol confortavelmente compreensível que poderia nos levar ao ponto de ônibus e que deveríamos esperar pelo "O".

Esperamos por cerca de 20 minutos no vento. Tinha pouca gente no ponto e, entre eles, um maluco que falava sozinho. Em determinado momento, o sujeito começou a surtar de vez e a arrancar coisas do lixo furiosamente. Daí a pouco, ele começou a chegar mais perto de nós e, antes que o troço virasse algo realmente perigoso, resolvemos sair dali rapidinho.

Resolvemos tentar novamente um táxi e ufa! Um motorista inspirado disse que daria um jeito de descobrir o endereço. Ajudamos mostrando o mapa e, depois de esbarrarmos em várias ruas interrompidas por obras, chegamos finalmente ao Morgan. Pedimos que o táxi esperasse, pegamos nossas malas e corremos pra rodoviária.

Ao chegarmos em Santiago, tivemos de mudar de terminal rodoviário pra conseguirmos comprar passagens pra Santa Cruz. Felizmente, o ônibus partia em 10 minutos. Nossa alegria durou pouco, pois a viagem foi horrorosa, num ônibus caindo aos pedaços, onde ventava dentro dele. Chegando nas proximidades de Santa Cruz, ele começou a parar a cada 3 minutos pra que alguém descesse. Nosso destino não chegava nunca!!! Quando finalmente paramos no terminal, praticamente só havíamos nós no ônibus.

Eram 11 horas da noite e ainda estávamos sem jantar. Felizmente, conseguimos um táxi pra nos levar até a pousada, que era bem perto. O frio estava congelante, mas deixamos as malas e corremos para uma lanchonete em frente. Felizmente, serviam um sanduíche "italiano" com batatas fritas que foram uma grata surpresa.

De barriga cheia, voltamos correndo pra pousada, onde nos enfiamos nas camas geladas, graças ao aquecedor que cheirava a gás vazando e, obviamente, não podia ser utilizado.

Bora dormir pros vinhedos do Vale do Colchagua chegarem mais rápido!

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Décimo primeiro dia - 1o de maio: Valpo

Não acordamos muito cedo e usamos a manhã pra tentar administrar uma bolsa menor a ser levada para Valparaiso e depois Vale do Colchagua. Depois do frio passado no Atacama, fiquei assustada de levar poucos casacos, mas tentei otimizar a bagagem ao máximo na mala que me foi emprestada pela Júlia.

Partimos para a rodoviária de metrô, entrando na estação Bellas Artes, parando em Baquedano para uma combinación e saltando definitivamente na estação Universidade de Chile, ou seria Universidade de Santiago? Ai, Isa, me ajuda! Rs. Em todo caso, saía-se dentro da rodoviária. Algo muito simples, lógico e inadmissível de não existir ainda no Rio de Janeiro.

Pegamos um ônibus excelente até Valparaiso, que partiu10 minutos depois de comprarmos as passagens. Havia wifi dentro dele e pude colocar em dia as postagens enquanto minha bateria durou.

Chegamos em Valpo por volta de 15h e o Fernando, namorado de uma grande amiga da Isabela, a Adriana, estava nos esperando na rodoviária de lá. Fernando mora em Viña del Mar e foi um guia sensacional porque, além de local, é arquiteto, assim como a Adriana. Consequentemente, a escolha sobre o que considerava relevante a uma visita foi perfeita pra mim e Isabela. Além disso, conforme descobrimos depois, Valparaiso pode ser um labirinto em meio às ladeiras e obras que cobrem a parte alta da cidade. Foi muito bom que alguém soubesse como andar por lá.

Nossa primeira parada foi no Morgan Bed and Breakfast, aonde deixamos nossas malas e trocamos de roupa. Foi, de longe, o melhor lugar em que estivemos. As instalações eram super charmosas e contava apenas com 5 acomodações. O quarto era lindinho, as camas deliciosas e o chuveiro pelando!



Depois, nosso cicerone nos levou a um mirante, num restaurante muito gostoso, onde tomei minha primeira e inesquecível cerveja Austral Lager. Fiquei apaixonada! Engraçado, eu imaginei que fosse tomar muito mais vinho do que cerveja no Chile, mas os danados também são muito bons com a cevada!




Depois da paradinha estratégica, seguimos pelas ruas e vielas, sempre nos impressionando com a arquitetura interessante e o céu deslumbrante, em tons de azul, branco e rosa.



Definitivamente, Valpo lembra muito Santa Teresa em sua parte alta. Muitas casas charmosas, com pequenos bistrôs e restaurantes, além de grafites e pinturas urbanas davam um tom descolado ao lugar.



Andamos muito pela parte alta e depois paramos num restaurante pequeno e chique, apenas pra abusar de sua vista noturna espetacular.



As horas passaram (nem tantas assim) e começou a bater a fominha habitual. Escolhemos um restaurante tradicional indicado pelo Fernando, no centro de Valparaiso. Engraçado que aqui em Valparaiso eles escrevem logo abaixo do nome do restaurante a descrição "restaurante turistico". Isso pra nós, brasileiros, seria um sinônimo de "comida cara e ruim, pois você não tem como comparar", mas aqui não tem um significado pejorativo. De qualquer forma, não tínhamos lugar pra sentar, de maneira que andamos mais um pouco pela parte baixa da cidade e paramos no Cinzano. Este parecia ainda mais tradicional, com muitos locais e pessoas aparentemente mais velhas ocupando as mesas.

Como não podia deixar de ser, provamos o Pisco Sour de Valparaiso!


 E também provamos uma iguaria famosa, chamada Loco. São uns mariscos enormes e extremamente saborosos. São bastante difíceis de se encontrar, mas quando isso acontece, vale muito a pena provar. São tenros e suculentos. Absolutamente divinos!


Depois dessa entrada, resolvi pedir finalmente a Paila Marina, que vem a ser uma sopa "levanta defunto". Tem peixe e mariscos, junto com cebolas e muitos temperos. A Paila Marina também podia ser encontrada em Santiago, mas apostei que a de Valparaiso fosse ser mais fresca e saborosa o que comprovei totalmente mais tarde.


No fim do nosso jantar, ainda tivemos música ao vivo! Um senhor com jeito de artista dos anos 50 cantou vários boleros. Formaram-se alguns casais dançantes entre as mesas e adoramos a espontaneidade simples do lugar!


Barriga cheia, o cansaço do dia cheio comecou a bater, então seguimos pro Hostal. Confesso que acabei dando umas cochiladinhas no banco de trás, perdendo alguns cenários e casas bem bacanas mostrados pelo Fernando.

Chegando no Hostal, a exaustão era tanta que o máximo que consegui fazer foi atualizar fotos nos posts para posterior escrita. A sensação de que não posso perder um segundo, pois está acabando, começou a dar o tom da viagem.

Linda Valpo!

Décimo dia - 31 de maio: cerros, poesia e música

Diante da péssima experiência de desayuno no dia anterior, resolvemos tomar café num dos inúmeros restaurantes ao longo do caminho e paramos num árabe na rua Merced; bairro de Lastarría. Cada uma peidu um café com creme e uma torta de maçã. Junto com a água deu um total de 9000 pesos e o sujeito nos apresentou a conta sem discriminar os valores por itens. Ficamos meio incomodadas, mas ao conferirmos no menu que estava na parede, vimos era mesmo caro. Grande furada porque nem estava tão bom assim.

Resolvemos começar a visita pelo Cerro Santa Lucia, que fica bem perto da rua Merced e do próprio Andes Hostel. Lindo, totalmente arborizado e com vários patamares adornados por pequenas praças e monumentos. O outono por aqui é muito bonito e bem caracterizado com as folhas douradas que enfeitam a cidade em seus parques e ruas arborizadas. 



Assim como no Atacama, os perros de Santiago dominam a cidade. Eles estão em todo lugar e não se parecem com os cães de rua brasileiros. Quisera parecessem. Aqui, eles são enormes, todos muito gordinhos e preguiçosos. Durante o Free Tour do dia anterior, Felipe havia explicado que eles são cuidados pela comunidade. Chegou a mostrar-nos casinhas de cachorros espalhadas pelo Parque Florestal.
No Atacama, eles pareciam estar praticamente hibernando, pois, fora o atlético Garú, era difícil estarem acordados. Aqui em Santiago, já são um pouco mais ativos, mas também é comum vê-los estirados nas calçadas, esparramados numa nesga de sol, aquecendo-se. São os donos do pedaço!
Quando fomos visitar o Cerro Santa Lucia, aconteceu uma coisa muito engraçada. Eu e Isabela estávamos no patamar de um castelo que estava fechado, aproveitando os cenários de ferro e folhas douradas para belas fotos, um a um, vieram chegando cerca de 5 cachorros. Eles começaram a nos rodear de um jeito muito pacífico, mas muito perto também.
Seguimos andando e eles foram conosco. Achamos que iriam nos ultrapassar, mas que nada. Era só pararmos que eles paravam também. De vez em quando, um implicava com outro, deixando-nos na dúvida sobre qual deles seria o alfa, mas era certo que nos tornaram parte da matilha durante um bom tempo.



Quando finalmente chegamos no topo, morremos de rir. Havia uma escultura de um cachorro. Nada mais justo do que essa homenagem a um animal tão adorado pelos santiaguinos. Era como se nossos amigos peludos estivessem nos escoltando ao seu altar de adoração e, assim que chegamos na estátua, os cães se dispersaram. Nesse momento, pudemos finalmente andar com mais desenvoltura pelo pequeno parque.


Tinha uma vista bem bonita pra cidade e, além do cachorro, outras esculturas bacanas. Uma delas, mostrava um índio que acreditamos ser mapuche no topo de uma pedra. Rendeu algumas fotos interessantes.



Descendo pelo outro lado, ficava um chafariz bem lindo com uma escultura de Netuno. Alguém havia me dito que era inspirado na Fontana di Trevi. Não sei se é verdade, mas fazia algum sentido.


Tínhamos a intenção de visitar o Museu de Artes Visuais, que ficava na Praça Mulato e achamos super interessante de longe. Mas a hora já estava adiantada pro almoço que marcamos com a Julia e o Christian, por isso, seguimos em direção ao Bairro de Bella Vista, para nos encontrarmos no restaurante Galindo.
O Felipe, nosso Free Guide, já tinha indicado o Galindo como um restaurante interessante pra provarmos comidas típicas. A intenção foi ter jantado nele no dia anterior, mas o lugar estava lotado.
Não tivemos muita sorte, pois pegamos uma garçonete muito esquisita. Era extremamente antipática e ficou incomodada quando sentamos numa mesa de quatro, explicando que esperávamos por mais duas pessoas. Como a Júlia e o Christian demoraram um pouco a chegar, ela vinha o tempo todo perguntar “viéne alguém más?”. Bem, isso ou algo parecido. Respondíamos que sim, mas ela demonstrava claramente seu descontentamento. Logo em seguida, fazia uma careta que rasgava o rosto todo na tentativa de um sorriso. Mais parecia uma carranca mostrando os dentes. Medo!
Como prato, escolhi um Parotos con Longanizas que não curti muito. Também pedi uma taça de vinho da casa que não foi nada legal. Enfim, terminado o almoço, tratamos de sair rapidinho de lá e fomos ao Cerro São Cristóbal, bem próximo à La Sebastiana, casa do Pablo Neruda que pretendíamos visitar depois do Cerro.

Subimos nós quatro no funicular e seguimos acompanhados por um... adivinhem... cachorrinho furioso, que corria na escada lateral latindo furiosamente. Andamos até a capela e subimos até o topo aonde há uma grande estátua de Nossa Senhora da Conceição.



Logo abaixo da escadaria que levava à santa, havia um local com muitas velas e placas de agradecimento. Ficamos lendo, eu e Isabela, e algumas eram emocionantes. Numa delas, um senhor que assinava dizendo ter 53 anos de idade agradecia as graças concedidas desde os 33, quando ele teria ido pela primeira vez pedir por sua família.
Conseguimos tirar algumas fotos interessantes da Cordilheira, mas o famoso smog de Santiago atrapalhou bastante a visibilidade. Christian explicou como a Cordilheira dificulta a circulação dos ventos, acumulando poluição na atmosfera da cidade. Disse que se chovesse, melhoraria bastante, mas essa chuva, por si só, é muito tóxica. É a chamada chuva ácida.



Descendo do Cerro, eu e Isabela conseguimos uma visita guiada no La Chascona. Essa é uma das 3 casas de Pablo Neruda. As outras duas ficam em Valparaiso, que também pretendemos visitar e Isla Negra. O nome “La Chascona” vem de algo parecido com “descabelada”, que era o apelido da amante de Neruda, Matilde Urrutia.
Nossa visita guiada foi praticamente particular e nosso guia parecia um autêntico índio Mapuche. Ele nos contou que Neruda e Matilde tiveram um romance secreto – ou tão secreto quanto viver em uma casa daquelas em Santiago pode ter sido – durante 5 anos, até que ele se separou de sua segunda mulher e casou-se com sua amante. Neruda era um conhecido colecionador de artigos peculiares e alguns até bem estranhos. As três bonecas francesas no banheiro, com as cabeças viradas pra porta, por exemplo, me causaram arrepios!

Outra característica bem marcante e talvez a mais conhecida das moradias de Neruda eram suas referências visuais com navios e o mar, de uma forma geral. Segundo nosso guia, essa adoração inspiradora de Neruda era totalmente contemplativa, pois ele mesmo não sabia nadar. Saí de lá achando o lugar e suas histórias extremamente interessantes, extremamente estimulada a ler seus poemas.


Voltamos ao Andes Hostel sem nos perder, finalmente! Arrumamo-nos rapidinho, pois teríamos um jantar na casa do Christian, com sua mãe, irmãs e a Júlia. Depois, alguns amigos dele iriam fazer um esquenta por lá, até a hora do show da banda La Comoccíón, que veríamos mais tarde.
O jantar foi uma delícia, com um frango preparado pela Paula, irmã do Christian. De sobremesa, serviram-nos um biscoito delicioso em forma de charuto, com recheio de doce de leite e envolto em chocolate.


Mais uma vez, impressionou-nos as conversas sempre recheadas de alusões ao panorama político do Chile. Mas isso tudo com uma leveza incrível, pois a família do Christian é tão simpática como ele.

A galera foi chegando e partimos pro show. Isabela pediu arrego novamente e ficou no Hostel, mas, confesso que foi ela que mandou bem. Eu estava mortinha com farofa de cansada e não via como fosse conseguir durar muito ao longo da noite. Acabei não conseguindo ficar até a banda principal entrar. Ao fim da primeira banda, despedi-me só da Júlia e saí à francesa pra não quebrar o ritmo da galera.


Chegando no Hostel, aconteceu uma coisa muito engraçada. Assim que eu entrei no quarto, a Isabela se assustou e deu um grito. Eu, que não fico atrás em matéria de susto, sotei dois berros. Caí na cama chorando de rir com a cena e achando que viria alguém do albergue checar o que havia acontecido, mas nada! Devem ter pensado “se veio do quarto de brasileños, tá tranquilo”. Rs.