quinta-feira, 31 de maio de 2012

Sétimo dia - 28 de maio: passeio a cavalo e jantar de despedida


Naquele que foi o nosso último dia inteiro no Atacama, resolvemos fazer um passeio diferente. Decidimos andar a cavalo pela região, num passeio oferecido pela mesma agência que nos alugou as bicicletas.

A Julia e seu pai teriam de estar prontos para o traslado às 15h, portanto, pouco antes das 9:30, nosso grupo de 5 pessoas (nós quatro mais nosso guia-amigo Jaime) encontrou-se na agência do Fernando e seguimos caminhando até onde nos esperavam os cavalos.

Lá, conhecemos o Robin, que era o responsável pelos animais e que seria nosso guia ao longo do passeio. Fomos, um a um, montando nos animais. Os mais dóceis foram escolhidos pra mim e pra Isabela. Eu não tenho experiência e ela estava fazendo seu début na equitação.

Logo de cara, não fui muito com a cara do Robin. Ele deu meia dúzia de broncas na Isabela, cujo cavalo simplesmente não obedecia, dizendo “Usted tiene que relajAAAAAAAAAAAAAr!”. Imagine isso pra quem está montando pela primeira vez na vida!!! Obviamente, alguns movimentos mais bruscos do cavalo a assustavam e ela deu alguns pequenos gritos. Daí ele berrava com ela “No griEEEEEEEEEEEEEs!”. A Julia se aventurou em alguns galopes e sobrou pra ela também. Não lembro qual foi o sabão, mas dizia a respeito de não correr com o animal porque os outros iriam acabar querendo segui-lo e nós não teríamos experiência pra controlar.

Fiquei preocupada se o passeio seria bacana, mas depois de 15 minutos, todos nós acabamos nos acostumando uns aos outros e comecei a me divertir com o jeitão do Robin. Percebi que o cara era gente boa e preocupado com a segurança. Sua única questão era estar mais acostumado a lidar com cavalos do que com gente. Daí acabava tratando os dois do mesmo jeito.

Desde o início do passeio, um cachorro grande, cor de areia, parecendo um labrador, nos acompanhou. Achei que ele fosse se cansar, mas que nada! Em determinado momento, o cavalo da Júlia resolveu ficar meio nervoso, querendo ir muito rápido. Garú, conforme nos explicaram ser o nome de el  perro, tascou uma mordida no focinho do animal e o deixou calminho num instante. Foi aí que nos explicaram que ele tinha meio que esse papel mesmo. O de controlar os cavalos.

Passamos por lugares lindos de paisagem desértica e povoados nos arredores de San Pedro. Fiquei me sentindo num filme do Sergio Leone e, em certo momento, comecei a ter a ter um certo controle do Diamante, meu cavalo. Digamos que ele fazia o que queria, do jeito que eu queria. Todos curtirmos muito, inclusive a Isabela, que teve sua primeira experiência em grande estilo.

Depois do passeio, todos fomos tomar uma cerveza com tábua de carnes na Praça de San Pedro. A essa altura, o Robin já estava super descontraído e chegou até a brincar com a esquila da Júlia, um bichinho de pelúcia que ela ganhou do namorado, ainda em Santiago, e que virou personagem da nossa viagem. Luna, como foi batizada, ganhava uma foto em quase todo destino aonde fomos nessa viagem. Naquela ocasião, não foi diferente.

Não apenas no passeio a cavalo, mas também durante a confraternização que veio depois, Garú ficou do nosso lado. Na praça, trocou o papel de cachorro pastor de cavalos por cachorrinho carente, ganhando vários chamegos de nós e tirando sonecas confortáveis sob o sol.

Voltamos para o hostel, tiramos as roupas pesadas de tanta terra e tomamos nossos banhos. Mirando-me no espelho, percebi como eu parecia ter tomado uma dose enorme de betacaroteno ou feito bronzeamento artificial, pois eu estava absolutamente laranja de terra. Meu cabelo também estava duro! Não sem motivos, a água descia terrosa pelo ralo.

Demos uma descansadinha e nos despedimos da Júlia e de seu pai. Logo em seguida, eu e Isabela partimos pra um almoço bem relax, como primeira parte da despedida de San Pedro do Atacama. Havíamos combinado por e-mail de jantar com nossa amiga alemã, Ruth, que conhecemos por meio do Michiel, e não queríamos comer muito.

Paramos no La Eskala, um restaurante muito simpático que ficava na calle Caracoles. Pedimos sucos de fruta e, de cortesia, nos serviram queijo de cabra com crosta caramelada de côco. Apesar de um pouco salgada, estava um espetáculo! A Isa pediu uma massa e eu fui de tabule de quinoa. Maravilhoso!




Ficamos passeando pela cidade um pouco. A Isa ainda estava se recuperando da maratona do dia anterior e preferiu retornar ao hostel pra descansar. Eu ainda fiz uma visita rápida ao museu arqueológico e dei uma passadinha na feira, pra comprar quinoa. Ficou a intenção de catar uma receita na internet pra aquela delícia de tabule.

Às 20h em ponto, conforme combinado, Ruth estava no nosso hostal. Seguimos para um restaurante mais dos locais, que foi indicado a ela por alguém do albergue. Não era decorado com tanto cuidado, mas não menos aconchegante ou delicioso por isso. Tomei uma deliciosa cazuela, típica sopa chilena, com legumes e carnes e depois dividimos um strudel. Ainda tomei um chocolate quente, pois ainda tinha as lembranças geladas do dia anterior me assombrando.


A Ruth é uma ótima companhia e contou várias situações sobre a Alemanha depois de 23 anos sem Muro. Combinamos de manter contato e combinar futuras viagens Alemanha – Brasil.

Fechamos a estada em San Pedro de Atacama com chave de ouro!


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