quinta-feira, 31 de maio de 2012

Sexto dia - 27 de maio: Passeio em San Pedro e Tour Astronômico

Depois da experiência traumática que tivemos mais cedo, com os Geiseres, minha expectativa com o tour astronômico aumentou ainda mais. Havíamos feito uma reserva, mas seria preciso confirmá-la na agência Space no mesmo dia. Assim, resolvemos fazê-lo logo após o almoço.

Depois de esquentarmos um pouquinho no Hostel, partimos para o Inti Sol, que foi confirmado como o restaurante de melhor custo-benefício da região. Lá, eu tomei uma deliciosa cerveza Corona e pedi um dos menus do dia: salada, frango com molho de champignon com batatas coradas e uma torta de côco. Tudo estava absolutamente divino e fiquei muito feliz de já estar com o corpo quentinho e, depois do almoço, com a alma aquecida também.

Quando passamos na agência, ela estava fechada. Demos uma olhada em volta e, fora os restaurantes, praticamente todos os estabelecimentos diziam estarem “cerrados” até 5 da tarde. Demos uma paradinha para um cappuccino num Café super interessante e nos divertimos com um gatinho carente que parecia morar por lá. Com tudo isso, nós que havíamos decidido recuperar o sono de tarde, acabamos só retornando umas 16:00.

Chegando no Campo Base, tomei um banho obviamente escaldante (o banheiro tinha mais vapor do que os gêiseres) e fiquei blogando debaixo dos cobertores, curtindo aquele calorzinho, como quem se recupera de um stress pós-trauma. Fiquei nesse relax até umas 17h, quando  pedi ao Hector que me ajudasse a ligar pra agência Space pra sabermos se poderíamos confirmar pelo telefone. Pensei que poderíamos pagar quando fôssemos jantar. Resumindo muito, quando finalmente conseguimos falar com a agência, ninguém mais atendia. Fiquei muito frustrada, achando que não deveria ter saído da cama naquele dia.

Pontualmente, às 19h, apareceram no Campo Base o holandês Michael (que descobri se chamar, na verdade, Michiel) e a alemã Ruth, que havíamos conhecido pela Fiona e pela Lea, conforme contei no post sobre o jantar multicultural. Nós tínhamos combinado de jantar com eles e, como não podia deixar de ser, os brasileiros estavam atrasados, enquanto os europeus chegaram na hora certinha.

Muito envergonhada, pedi que já fossem pro restaurante aonde tínhamos decidido jantar. Assim, poderiam tomar um drink enquanto terminávamos de nos aprontar. Quinze minutos depois, chegamos pra acompanhá-los. Afinal, tardamos, mas não falhamos!

Michiel contou que havia conseguido uma vaga no tour astronômico e que deveríamos ir no ponto de encontro, às 20:50, pra tentarmos uma vaga na hora também. O Jaime, nosso guia de vários passeios, que estava jantando conosco, conseguiu ligar pra algumas pessoas de seu conhecimento e disse que poderíamos pagar em dinheiro, na hora. Eu e Isabela vibramos com a manutenção do programa. A Júlia e seu pai estavam muito cansados e preferiram não ir.

Chegamos no local orientado na hora certinha e deixamos todos entrarem primeiro no ônibus pra explicar ao motorista nossa situação. O diálogo segue abaixo:

Ana Paula perguntou: “Holla, buenas noches. Como estás? Puedo hablar em Inglês?”
Motorista respondeu eloquentemente: “No.”
Ana Paula, perguntou: “Nosotros he hecho reservación para tour hoy a las nueve, pero la agencia estava cerrada. Hablamos com una persona que nos dice que podríamos ir al tour astronômico, pero pagaríamos aqui. OK?”
Motorista respondeu eloquentemente: “Si.”
Ana Paula perguntou: “Entonces son 18.000 pesos por persona, correcto?”
Motorista supirou e respondeu: “Sabes que hay un tour en Ingles a las 22 horas?”
Ana Paula pensou: “Hijo de uma égua! Tá sacaneando meu esforçado portuñol!” Mas só respondeu: “No hay problema. Nosotros no hablamos bién, pero escuchamos bién.”
Motorista, com expressão sarcástica: “OK.”

Fomos eu, Isabela e Michiel rindo muito no banco de trás do ônibus, que nem a “turma da cozinha” em transporte escolar, até que chegamos ao local do observatório.

Na verdade, o local é mantido por um astrônomo francês e sua esposa. Eles possuem cerca de 12 super telescópios num local super bem localizado no deserto para a visualização do céu. Assim que descemos do ônibus, percebemos que a visibilidade era muito melhor do que a de San Pedro. É uma pena que não possamos registrar com fotos, mas, mesmo a olho nu, somos capazes de ver diferentes tamanhos e cores das estrelas, além de nebulosas, que depois nos foram explicadas como parte da Via Láctea. Um espetáculo!

Toda a explicação teórica foi feita em pé, a céu aberto. É bastante frio e eles distribuem mantas pras pessoas. A esposa do astrônomo (vergonhosamente, não sei o nome de nenhum dos dois) utilizava um laser point, onde sinalizava cada uma das estrelas e constelações a que desejava se referir com destreza e agilidade enormes. Ela falava muito rápido, mas devia ser muito engraçada porque todo mundo riu várias vezes de alguns de seus comentários. Eu sempre ria junto pra não parecer antipática, ou pior, burra, mas confesso que não entendia nada. A Isabela depois falou comigo que também não compreendeu praticamente nada. O Michiel parece ter entendido ou fingiu muito bem, porque passou o tempo todo acenando com a cabeça e fazendo “aham... aham... aham...”. A Isabela não acha que isso tenha sido sinal de entendimento da parte dele, mas nada além de um tique nervoso. De qualquer forma, eu quase pedi a ele que me traduzisse, mas achei muito humilhante a brasileira pedir legenda de espanhol pro holandês.

Depois das explicações, partimos para os telescópios. Vimos os anéis de saturno, nebulosas, uma quantidade impressionante de estrelas e... a Lua! Nesse momento, o astrônomo francês já estava presente e nos ajudou a registrar em fotos as imagens que víamos. Coloquei algumas neste post.

Ao fim da demonstração, todos nos dirigimos para dentro de uma sala meio rústica, com o teto vazado no centro, para que pudéssemos ver o céu. Sentamos em banquinhos e nos foram distribuídas canecas com chocolate quente. Nesse momento, o astrônomo fez uma pequena palestra. O espanhol dele era mais fácil de entender e foi bem interessante, apesar de já ser quase meia-noite e nós termos acordado às 3 da madrugada. No fim, eu já estava quase batendo cabeça, mas deu pra registrar um comentário bastante interessante feito por ele. Disse que a noção do universo tem a ver com a disponibilidade tecnológica no momento. Segundo ele, assim foi com os grandes navegadores, Galileu e está sendo conosco.

Retornamos absolutamente exaustas e caímos duras de sono! No dia seguinte de manhã, havia um passeio de cavalo programado. Ufa!







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