Depois de esquentarmos um pouquinho no Hostel, partimos para
o Inti Sol, que foi confirmado como o restaurante de melhor custo-benefício da
região. Lá, eu tomei uma deliciosa cerveza Corona e pedi um dos menus do dia:
salada, frango com molho de champignon com batatas coradas e uma torta de côco.
Tudo estava absolutamente divino e fiquei muito feliz de já estar com o corpo
quentinho e, depois do almoço, com a alma aquecida também.
Quando passamos na agência, ela estava fechada. Demos uma
olhada em volta e, fora os restaurantes, praticamente todos os estabelecimentos
diziam estarem “cerrados” até 5 da tarde. Demos uma paradinha para um
cappuccino num Café super interessante e nos divertimos com um gatinho carente
que parecia morar por lá. Com tudo isso, nós que havíamos decidido recuperar o
sono de tarde, acabamos só retornando umas 16:00.
Chegando no Campo Base, tomei um banho obviamente escaldante
(o banheiro tinha mais vapor do que os gêiseres) e fiquei blogando debaixo dos
cobertores, curtindo aquele calorzinho, como quem se recupera de um stress
pós-trauma. Fiquei nesse relax até umas 17h, quando pedi ao Hector que me ajudasse a ligar pra
agência Space pra sabermos se poderíamos confirmar pelo telefone. Pensei que
poderíamos pagar quando fôssemos jantar. Resumindo muito, quando finalmente
conseguimos falar com a agência, ninguém mais atendia. Fiquei muito frustrada,
achando que não deveria ter saído da cama naquele dia.
Pontualmente, às 19h, apareceram no Campo Base o holandês
Michael (que descobri se chamar, na verdade, Michiel) e a alemã Ruth, que
havíamos conhecido pela Fiona e pela Lea, conforme contei no post sobre o
jantar multicultural. Nós tínhamos combinado de jantar com eles e, como não
podia deixar de ser, os brasileiros estavam atrasados, enquanto os europeus
chegaram na hora certinha.
Muito envergonhada, pedi que já fossem pro restaurante aonde
tínhamos decidido jantar. Assim, poderiam tomar um drink enquanto terminávamos
de nos aprontar. Quinze minutos depois, chegamos pra acompanhá-los. Afinal,
tardamos, mas não falhamos!
Michiel contou que havia conseguido uma vaga no tour
astronômico e que deveríamos ir no ponto de encontro, às 20:50, pra tentarmos
uma vaga na hora também. O Jaime, nosso guia de vários passeios, que estava
jantando conosco, conseguiu ligar pra algumas pessoas de seu conhecimento e
disse que poderíamos pagar em dinheiro, na hora. Eu e Isabela vibramos com a
manutenção do programa. A Júlia e seu pai estavam muito cansados e preferiram
não ir.
Chegamos no local orientado na hora certinha e deixamos
todos entrarem primeiro no ônibus pra explicar ao motorista nossa situação. O
diálogo segue abaixo:
Ana Paula perguntou: “Holla, buenas noches. Como estás? Puedo
hablar em Inglês?”
Motorista respondeu eloquentemente: “No.”
Ana Paula, perguntou: “Nosotros he hecho reservación para
tour hoy a las nueve, pero la agencia estava cerrada. Hablamos com una persona
que nos dice que podríamos ir al tour astronômico, pero pagaríamos aqui. OK?”
Motorista respondeu eloquentemente: “Si.”
Ana Paula perguntou: “Entonces son 18.000 pesos por persona,
correcto?”
Motorista supirou e respondeu: “Sabes que hay un tour en
Ingles a las 22 horas?”
Ana Paula pensou: “Hijo de uma égua! Tá sacaneando meu
esforçado portuñol!” Mas só respondeu: “No hay problema. Nosotros no hablamos
bién, pero escuchamos bién.”
Motorista, com expressão sarcástica: “OK.”
Fomos eu, Isabela e Michiel rindo muito no banco de trás do
ônibus, que nem a “turma da cozinha” em transporte escolar, até que chegamos ao
local do observatório.
Na verdade, o local é mantido por um astrônomo francês e sua
esposa. Eles possuem cerca de 12 super telescópios num local super bem
localizado no deserto para a visualização do céu. Assim que descemos do ônibus,
percebemos que a visibilidade era muito melhor do que a de San Pedro. É uma
pena que não possamos registrar com fotos, mas, mesmo a olho nu, somos capazes
de ver diferentes tamanhos e cores das estrelas, além de nebulosas, que depois
nos foram explicadas como parte da Via Láctea. Um espetáculo!
Toda a explicação teórica foi feita em pé, a céu aberto. É
bastante frio e eles distribuem mantas pras pessoas. A esposa do astrônomo
(vergonhosamente, não sei o nome de nenhum dos dois) utilizava um laser point,
onde sinalizava cada uma das estrelas e constelações a que desejava se referir
com destreza e agilidade enormes. Ela falava muito rápido, mas devia ser muito
engraçada porque todo mundo riu várias vezes de alguns de seus comentários. Eu
sempre ria junto pra não parecer antipática, ou pior, burra, mas confesso que
não entendia nada. A Isabela depois falou comigo que também não compreendeu
praticamente nada. O Michiel parece ter entendido ou fingiu muito bem, porque
passou o tempo todo acenando com a cabeça e fazendo “aham... aham... aham...”. A
Isabela não acha que isso tenha sido sinal de entendimento da parte dele, mas nada
além de um tique nervoso. De qualquer forma, eu quase pedi a ele que me
traduzisse, mas achei muito humilhante a brasileira pedir legenda de espanhol
pro holandês.
Depois das explicações, partimos para os telescópios. Vimos
os anéis de saturno, nebulosas, uma quantidade impressionante de estrelas e...
a Lua! Nesse momento, o astrônomo francês já estava presente e nos ajudou a
registrar em fotos as imagens que víamos. Coloquei algumas neste post.
Ao fim da demonstração, todos nos dirigimos para dentro de
uma sala meio rústica, com o teto vazado no centro, para que pudéssemos ver o
céu. Sentamos em banquinhos e nos foram distribuídas canecas com chocolate
quente. Nesse momento, o astrônomo fez uma pequena palestra. O espanhol dele
era mais fácil de entender e foi bem interessante, apesar de já ser quase
meia-noite e nós termos acordado às 3 da madrugada. No fim, eu já estava quase
batendo cabeça, mas deu pra registrar um comentário bastante interessante feito
por ele. Disse que a noção do universo tem a ver com a disponibilidade
tecnológica no momento. Segundo ele, assim foi com os grandes navegadores,
Galileu e está sendo conosco.
Retornamos absolutamente exaustas e caímos duras de sono! No
dia seguinte de manhã, havia um passeio de cavalo programado. Ufa!







Nenhum comentário:
Postar um comentário