quinta-feira, 24 de maio de 2012

Terceiro dia - 24 de maio: Salar de Atacama e Lagunas Altiplanicas


O dia hoje começou cedo, pois partiríamos pra passeio de dia inteiro já às 8 da manhã. Como fomos deitar um pouco antes das 23h, a noite anterior não dormida foi relativamente bem recuperada. Impressionante como o silêncio absoluto associado a um cansaço absurdo fazem a gente apagar profundamente.
Todos os hóspedes tomaram café na mesma mesa, como uma família. Isso é muito curioso e interessante porque aproxima as pessoas. Dá uma quebrada de gelo. Se bem que, com a Julia e a Otily no mesmo lugar, não há gelo que precise ser quebrado. Foi um encontro de almas no mundo das relações públicas com essa brasileira e essa canadense juntas no Atacama! Rs.
 Não pude interagir muito, pois tive de correr que nem louca. Resolvi lavar o cabelo de manhã e brrrrr... isso me atrasou bastante. De desayuno, temos leite, chá, pão, presunto, queijo, tomates descascados e sem rodelas, refresco, cereais e salada de frutas. Além disso, a Mari, que cuida de várias atividades do albergue, prepara ovos mexidos pra nós, conforme a demanda. Ela é uma querida e paparica a gente o tempo todo. Disse que não podemos sair sem comer e que as brasileiras são sempre as mais bonitas do albergue. Não sei porque, mas concordei totalmente com as duas afirmações. Saí satisfeita de estômago e ego! Hehehe.
Fomos direto para o Salar do Atacama, com todos os detalhes sendo narrados por um guia muito gente boa. Seu nome era Jaime e ele tinha muito mais carisma e simpatia do que o guia do dia anterior. Falava mais devagar, olhava nos olhos do público e parecia sinceramente gostar do que estava falando. Simples assim!
Foi uma constatação unânime de que todas as fotos que vimos sobre o Atacama fazem totalmente jus às paisagens. O que se vê nos sites sobre o destino não são imagens trabalhadas. As cores são daquele jeito mesmo. Parece um cenário de sonho, com tudo estranhamente perfeito. Do azul profundo do céu aos tons de terra e bege dos morros e planícies. Tudo numa composição perfeitamente harmoniosa. Beira o monótono, pois parece algo montado em computador. Mas aí é só lembrar que se trata de uma paisagem real pra você ficar de novo chocado com tanta beleza.
O sal compõe uma textura irreal. São distâncias enormes com formações em um solo que a cabeça só entende como podendo ser alienígena (desculpem a insistência, mas não há definição melhor).
Distantes dos pontos de observação, ficam os flamingos rosados. Há três tipos que o guia explicou cuidadosamente. As diferenças estão nas cores das plumagens e das patas. Ouvi educadamente, mas pra mim, são todos lindos e é o que importa.
Depois, partimos pras Lagunas Altiplânicas, que ficam numa altitude de 4080 metros. Tão lindas quanto impressionantes, elas dão uma certa angústia. É que não se pode chegar perto sob o risco de destruir ovos de uma espécie local. A razão é super justa e respeitável, mas o fato de estarmos tão perto e tão longe daquelas águas lindas só colabora pro clima de sonho.
Aliás, só o frio cortante pra ter certeza de que estamos no mundo real. Esse não deixa dúvidas! É sair do ônibus pra tiritar naquele vento gelado e seco. Alguns poucos lugares são mais quentinhos, daí a gente fica descascando roupas que nem banana. Já descobri que o macete é ver com quantos casacos o guia sai do ônibus. Descobri meio tarde, mas vale pros próximos passeios.
Depois, tivemos um almoço bem simpático com sopa de legumes como entrada, seguida de arroz, frango assado, tomate (único com casca até agora), batatas comuns, batatas roxas e quinoa. De sobremesa, gelatina com creme de leite. Simples, mas super saboroso. Se bem que com a fome e frio que eu sentia, acho que bastava estar quente!
Depois do almoço, seguimos pra um povoado chamado Toconao, onde vimos uma igrejinha local. A cidade estava deserta e descobrimos que estava acontecendo um enterro. Daí a pouco, passou um cortejo pela ruazinha ao lado. Provavelmente, com todos os habitantes de Toconao. Impressionante imaginar a vida daquelas pessoas num lugar tão inóspito e afastado. Mais ainda se imaginarmos os povos que viveram ali sem as facilidades que conhecemos.
Voltamos pra San Pedro por volta de 17h e fomos tentar agendar o passeio do observatório. Fizemos amizade com uma inglesa, Lea e uma australiana, Fiona, no ônibus e foram elas que nos indicaram a agência. Será no dia 27, de 21h às 23h30. Estamos super empolgados, pois todos os sites sobre o Atacama dizem ser imperdível!
Depois, fomos direto pro Tinti, restaurante aonde almoçamos no primeiro dia, e tratamos de fazer um jantarzinho regado a vinho. Comi metade de um sanduíche enoooooooooooorme, feito com carne, vagem e ají (que é tipo um chili).
Estou caprichando mais neste post porque amanhã teremos uma colher de chá e vamos dormir até 8:00. É que só temos passeio marcado de tarde, mas aproveitaremos pra conhecer o museu arqueológico pela manhã.
Hasta la vista, baby!





3 comentários:

  1. lindasssssssssssssssss, obrigada!!!!!!

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  2. Pouco a acrescentar depois desta descricao perfeita feita pela Ana. Tudo eh muito bonito e interessante. Se andamos normalmente nao sentimos o ar rarefeito, mas basta uma subidinha que...ai, que cansaco!
    Pegamos bicicletas e fomos passear no dia seguinte pela manha(quando escrevo agora). Eu acabei voltando pra cidade pra fazer um passeio mais light e relaxante...rsrs

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