Acordamos cedo pra um dos passeios mais esperados na viagem: as visitas aos vinhedos! Começaríamos pela sofisticada Lapostolle Clos Apalta, que teve um de seus vinhos eleitos como o melhor do mundo pela seleção do sommellier Robert Parker, em 2008. Uaaaau! Bem, a vida fica mais simples quando alguém desse naipe já deu o devido lastro a algo que você está para experimentar, não é mesmo? Assim é só achar que está tudo maravilhoso!
Brincadeiras à parte, creio que não tenho paladar e tenho certeza de que não tenho bolso pra ser profunda conhecedora de vinhos. No entanto, meus dentes completamente roxinhos depois de uma refeição regada à bebida revelam como sou grande apreciadora do mundo de Bacco.
Deixamos as malas com o gerente do hotel e saímos num táxi que ele gentilmente havia pedido enquanto terminávamos o desayuno. Combinamos com o motorista, Danilo, de nos buscar no fim do almoço na Lapostolle, depois nos levar à rodoviária, quando compraríamos as passagens de volta para Santiago naquela mesma noite. Nossa intenção era ter feito isso já na chegada, mas pelo horário em que fomos desovadas daquele maldito ônibus, tudo na cidade já estava fechado.
Por fim, combinamos que por volta das 16h, o Danilo nos levaria na segunda vinícola, a Viu Manent. Duas horas depois, ele nos buscaria pra que pudéssemos chegar a tempo do outro expresso perrengue e retornar a Santiago. Em todo caso, eu tinha a intenção de estar com meus dentinhos roxos o suficiente pra não ligar tanto pra aquela viagem dos infernos.
A Casa Lapostolle tem uma arquitetura super interessante. Foi construída dentro de um morro (ou montanha, que fica mais metido à besta de falar), aproveitando a verticalidade do espaço pra facilitar a produção de seus vinhos. Assim, cada fase da produção acontecia em um andar diferente e descíamos pela escada pra conhecer cada um deles. Nosso guia, Fernando, era a gentileza em pessoa e eu fiquei me sentindo muito chique provando aqueles vinhos premiadíssimos, conhecendo uma vinícola de tanta tradição e, ao mesmo tempo, tão moderna.
Nosso tour foi feito num esforçado portuñol, pois além de mim e Isabela, todos os outros participantes eram também brasileiros. Tinha um grupo de uns 5 paulistas e outro grupo com uns 8 mineiros de Uberlândia. Os paulistas estavam curtindo numa onda parecida comigo e Isa, mais discretos e na deles. O grupo dos 8, no entanto, estava em outra vibe, infelizmente!
Falavam pelos cotovelos, muito alto. Riam muito alto. Corriam pras barricas e faziam poses pra fotos fingindo que estavam bebendo direto da torneira. Daí um gritava "Geraaaaaldo, tira uma foto minha assim... Agora troca, deixa eu tirar de você... Agora, Denise, vai lá você... Sandra, quer que tire? A Sandra quer. Vai lá, Sandrinha!". Nesse tempo todo, o pobre do guia e nós ficávamos esperando a tchurma montar o acervo que certamente iria povoar suas páginas de Facebook nas semanas seguintes.
Ficava até difícil de ouvir o Fernando explicar os detalhes, mas conseguimos saber como as uvas colhidas são despejadas nas barricas pelo seu topo e depois misturadas. Dentro dos recipientes, há serpentinas pra se manter a temperatura do vinho e, depois de pronto, mangueiras o transportam para o patamar de baixo.
Quando passamos para a última parte, onde os vinhos amadurecem nos barris de carvalho, fomos conduzidos a uma mesa enorme de vidro. Através dela, via-se uma escada sutilmente iluminada, que levava a uma adega repleta de garrafas. Fernando nos explicou que se tratava da adega particular da proprietária. Achei isso muito engraçado. Certamente eles deveriam ter outros lugares pra acomodar aquelas garrafas, mas era mais um símbolo que corroborava pro conceito de absoluta exclusividade daquela vinicola.
Os vinhos que provamos foram todos servidos sobre aquela mesa, circundados pelos barris que acomodavam milhares de litros premiados. Obviamente, o amigo do Geraldo não pode deixar de fazer a piadinha "Poxa, vocês não têm o telefone dessa dona, não? Queria fazer amizade com ela.". Devo confessar que, apesar de nossas diferenças, nessa hora, compartilhei dos interesses do moço.
Primeiro tomamos um Sauvignon Blanc, depois um Chardonnay, depois dois tintos com a mistura de uvas na proporção indicada pelo sommellier da casa. O último era o vinho que havia ganho o prêmio de melhor do mundo em sua safra de 2008. Isa, se eu falei alguma besteira, fique à vontade para me corrigir. Afinal de contas, eu bebi muito mais do que você. Hehehe.
Terminada a visita, fomos levados até o escritório, onde os vinhos são também comprados. Pagamos o valor correspondente à visita e também ao almoço que faríamos em seguida. Ele nos foi recomendado pelo tio do meu cunhado, que nos fez a gentilezaa de indicar todas as vinícolas, como excelente. Nesse momento, os amigos do Geraldo comentaram que haviam tentado fazer reserva pra esse almoço também, mas que já estava lotado. Pensei "Bacco é pai, não é padastro!!!", mas nessa hora, eu já tinha virado quase uma socialite de tão chique. Restringi-me a um olhar cúmplice para a Isabela, enquanto ambas falávamos "Noooooossa, que pena!".
Detalhes do hotel onde almoçamos, com paisagens deslumbrantes, decoração de Casa Cor e pratos deliciosos (fotografei silenciosamente tudinho, pois não sou amiga do Geraldo) ficam pro post seguinte.
Sempre sofro dessa síndrome quando o blog está acabando. Começo a espaçar os posts pra que os registros demorem mais a serem feitos. Bem ou mal, quando eu parar de falar da viagem, é porque terminou de verdade... :-(












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