No quinto dia, acordamos cedo e, às 8 da manhã, nosso guia
Carlos chegou para nos levar a nosso próximo destino insólito: Monges de La
Pukaña e Salar de Tara. Já tínhamos conhecido o Carlos de outro tour, quando
ele fez as vezes de motorista do microônibus e já tínhamos percebido como ele
era uma figuraça. Tem um humor super inteligente, com tiradas que nos fazem
morrer de rir. Aquele tipo sarcástico do bem que eu tanto adoro. Desta vez, ele
levou seu filho Carlitos, que, como o próprio nome sugere, era uma miniatura do
pai. Além do tamanho, a única diferença é que enquanto o pai era um gozador, o menino
era extremamente tímido. Mas era igualmente fofo!
O passeio foi longo, cheio de “perrengues”, mas muito interessante.
Passamos por lhamas e diversas versões da linda combinação terra, vulcões e
neve até chegarmos nos Monges de La Pukaña. São rochas que parecem ter sido
colocadas ali, no meio de uma planície árida e uniforme, como uma escultura
modernista de um Deus caprichoso. Nosso guia, em um de seus raros momentos
sérios, explicou que aquelas rochas são provenientes de material vulcânico
desgastado pela ação do vento. Mostrou, inclusive, resquícios de musgo nas
pedras, ainda reminiscentes de quando aquilo foi um lago.
O Salar de Tara fica a mais de 4.000 metros, de forma que
tivemos de manter a receita de água e chá de Coca pra não sentirmos muito os
efeitos da altitude. O efeito colateral óbvio disso é ter vontade de fazer xixi
o tempo todo. E dá-lhe eu, Isabela e Júlia catarmos um cantinho mais deserto
(dãããã) pra resolvermos nosso problema. E haja perrengue pra deixar o buzanfã
desabrigado das 3 calças que eu estava vestindo pra fazer xixi no vento! Isso
nos rendeu muitas risadas.
Depois de cerca de 2 horas de viagem, chegamos ao Salar de Tara.
Carlos disse que teríamos uma meia hora pra caminhar até que ele preparasse o
almoço. Isso foi feito num abrigo que lembrava aqueles filmes americanos onde
os sobreviventes de algum desastre encontram uma casinha abandonada no meio do
nada. Carlos contou que adorava ir ao Salar de Tara porque durante 15 anos de
sua vida ele passava 6 meses do ano naquele abrigo. Ali, com seu “abuelo”, ele
tinha uma vida completamente afastada da civilização.
O almoço montado por ele foi macarrão, tomates, abacate,
ovos cozidos e frango. Tudo já havia sido preparado anteriormente e ele só
picou os tomates, os abacates e serviu numa mesa improvisada. Quer saber?
Estava tudo uma delícia!
O Salar é espetacularmente lindo e, junto com aquele abrigo
rústico, formou o cenário mais original e interessante da viagem. Mesmo tendo
de fazer xixi ao vento gelado do Deserto do Atacama, valeu super a pena!

Muitos perrengues e risadas depois, chegamos sas e salvas no hostel pois nosso amigo e guia-motorista Carlos, com seu fiel escudeiro Carlitos, cuidou muito bem de nosotros! Foi o passeio mais natureza-selvagem desta viagem, cobrindo de carro cerca de 30 km no meio do deserto, na ida e na volta, subindo e descendo terrenos irregulares, no meio da exuberancia da natureza pura. Show!
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