terça-feira, 22 de outubro de 2013

Dia 19/10: Viagem e chegada em Colonia del Sacramento

Por volta de 10h15 da manhã, chegou nosso carro. Era um Celtinha básico, confortável e funcional, que foi alugado na Hertz, com ajuda de Diego, um brasileiro que trabalhava como atendente no Massini Suites. Tanto ele, quanto Roberta, outra recepcionista do MS, falavam um Português já com sotaque uruguaio, de forma que demoramos um pouco a reconhecer a nacionalidade dos dois. O preço foi super justo e receber o carrinho na porta do apart hotel foi de uma felicidade imensa.

O funcionário da Hertz se chamava Nicholas. Muito gentil e metódico, explicou detalhadamente ao Eduardo as condições e horários da locação, bem como o funcionamento do GPS. Ao pegar os dados do cartão de crédito, utilizou, segundo ele, uma tecnologia tipicamente uruguaia. O papel era colocado por cima do cartão e a parte dura da caneta era passada, decalcando os números no papel carbono. Rindo, ele explicou que assim não havia problema de bateria, sinal de chip ou qualquer inconveniente parecido.

Fiquei observando o Eduardo recebendo as instruções daquele rapaz e procurei entender o que estava me causando estranhamento naquela cena. Ri, percebendo que, de uma maneira tão incomum quanto quem conhece o Eduardo pode imaginar, ele estava parecendo pequenininho ao lado do funcionário da Hertz. É que o sujeito devia ter uns 10 cm a mais do que o 1,94 m do meu namorido. Confirmei depois o palpite de que essa constatação estaria deixando o Eduardo particularmente contente, pois isso sempre acontece quando identifica pessoas mais altas do que ele. Essa sensação de conforto raramente vinha acontecendo até então no Uruguai, onde a estatura média é baixa.

Depois de tudo acertado, subimos um pouquinho a calle Ramón Massini, até um local chamado MCLCalentitas. No dia anterior, quando buscávamos um bom café da manhã nas redondezas do Massini Suites, identificamos essa opção, que trazia uma logomarca em forma de croissant, sugerindo a venda das deliciosas medialunas.

Pedimos duas promoções de café completo, que traziam, cada um, cappuccino ou café cortado, suco de laranja, água mineral, 1 medialuna rellena de queijo com presunto e 2 tostados, também de queijo com presunto e biscoitinhos amanteigados sortidos. Com pães de fabricação própria, o que podia ser conferido numa curiosa espiadinha por trás dos balcões, as medialunas e tostados estavam absolutamente divinos! Basta dizer que eles foram devorados antes mesmo de eu pensar em tirar a tradicional foto.


Confirmamos, pelas atendentes do Calentitas, um perfil típico do serviço uruguaio. Tanto eu, quanto o Eduardo, concordamos que eles são bastante educados, mas, da minha parte, que faço o estilo brasileiro-carente, chamaria esse padrão de um pouco antipático. Já o Eduardo, que não faz tanta questão de calor humano vindo de quem não conhece, considerou-os apenas mais sérios e duros, parecidos com o jeitão dos espanhóis.

Satisfeitos com nosso melhor desayuno, seguimos para a versão road trip de nossa aventura, em direção a Colonia del Sacramento.

Digitamos as coordenadas no GPS e logo percebemos que ele ia nos conduzindo pelas ruas internas de Montevideo, diferentemente da orientação do Diego, que havia nos indicado seguir pela Rambla, até pegarmos as rotas principais. Eu, que sou um desastre como copilota, fiquei meio tensa até chegarmos à rodovia, mas conseguimos alcançá-la sem qualquer dificuldade.

O dia estava bem bonito e curtimos o visual pampeiro das estradas uruguaias. Com exceção de algumas pequenas favelas na saída da área metropolitana, o país manteve a imagem passada anteriormente, com casas simpáticas e dignas, até mesmo pra regiões que eram nitidamente mais pobres.

Com o relevo plano que se pode imaginar em um país que tem foco na criação de gado, as áreas verdes predominavam. Eram eventualmente intercaladas por pequenos e poucos povoados, que não pareciam ir muito além das casas à beira da estrada. Também vimos poucos carros e raríssimos caminhões, o que deve contribuir para o ótimo estado do asfalto. O Eduardo, com sua sutil fobia por multidões, não se cansava de observar que “o Uruguai, decididamente, era um país de uma densidade populacional muito confortável”.
Ao longo dos cerca de 140 Km de estrada, que seguiu absolutamente reta em 90% do percurso, ficamos ouvindo as rádios uruguaias e tentando imitar o sotaque, onde, entre outras particularidades, os “LL” viram algo entre o “X” e o “J”, os “D” são quase engolidos e os “S” viram “R”. Aliás, foi fácil analisar os sotaques, uma vez que os locutores falavam muito mais do que colocavam músicas pra tocar!






Chegamos com facilidade em Colonia em pouco mais de 2 horas de viagem e encontramos a calle de Spaña, onde ficava a Posada del Virrey bem rapidinho. De cara, gostamos da hospedagem, próxima ao antigo porto, com uma linda porta de madeira, recepção simpática, bem decorada, além de (o principal) quartos limpos, confortáveis e charmosos.




Depois de deixarmos as malas e colocarmos uma roupa mais leve, pois o dia estava bastante ensolarado, demos nossa primeira volta pela cidade. Com medo de repetirmos a experiência dos restaurantes fechados, decidimos almoçar logo. Encontramos com facilidade (qualquer coisa é encontrada com facilidade em Colonia, como já se pode perceber) o restaurante que havia sido indicado no guia do Viajante Independente sobre a América do Sul, como um dos locais preferidos dos nativos de Colonia. Chamava-se Púlperia dos de los Faroles e nos serviu pra aprendermos uma lição! A partir de agora, sempre confirmaremos no Trip Advisor uma sugestão de restaurante feita em livros, pois o lugar se revelou totalmente medíocre e nada barato. Não sei se no momento em que o livro foi impresso, o Faroles era mais interessante, mas, comparado com os inúmeros outros locais de custo-benefício infinitamente melhor, no mínimo, nos causou suspeita.

Pedimos uma cerveja Patrícia (até aí não tinha como errar) e um coquetel de camarões ao alho como entrada. Eles estavam numa consistência boa, mas super insossos. 


Depois, o Eduardo pediu um salmão com fritas, enquanto eu um filé com molho de pimenta, também com fritas. A carne uruguaia realmente tem muita qualidade e fica difícil de estragar, mas os sujeitos se esforçaram, com um molho rançoso à base de maisena, que me lembrou do medalhão à piamontese do restaurante Frango Veloz, na Tijuca. Em todo caso, estamos de férias, então, raspa o molhinho pra fora da carne, foca na cerveja (que ao menos é gelada) e vamos ser felizes!



Além da lição, valeu também pelo habilidoso pianista que estava tocando vários tangos. Ao fim da apresentação, ele distribuiu seu CD, que compramos (200 pesos urugaios), quase como um couvert artístico e reconhecimento por ter salvado o almoço.


Demos um último giro de reconhecimento por Colonia e voltamos ao hotel, onde a recepcionista havia nos informado que, às 18h, haveria uma visita guiada gratuita, ao longo dos pontos históricos da cidade.

Ainda havia muitas histórias interessantes pela frente.

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