quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Dia 16/10: Passeio de Pocitos ao Mercado do Porto

O cansaço das horas mal e não dormidas, mais a caminhada de quase 10 km do dia anterior cobraram seu preço e acordamos às 10:30 da manhã, sendo que fomos deitar por volta de meia-noite. Mas essa era a proposta desta viagem, bem low profile (e low budget também!).

Caminhamos na direção de um café bem bonitinho que o Eduardo havia visto no Trip Advisor, chamado Reinas, mas estava fechado. A ideia era almoçarmos no Mercado Del Porto, de maneira que só queríamos algo pra enganar o estômago durante o passeio. Uma lanchonete pouco simpática serviu ao propósito (low expectations também fazem a tônica desta viagem) e, depois de um café expresso e um cappuccino, seguimos por um caminho diferente do dia anterior.

Como vimos fazendo nas últimas viagens, deixo a cargo do Eduardo, que tem um GPS natural, a escolha dos trajetos. Nem me preocupei em olhar direito o nome das ruas, pois me ocupei de fotografar casas antigas e... portas, muitas portas! Como disse no texto do dia anterior, prefiro fazer um post exclusivo com a coleção que eu tiver reunido mais pro fim da viagem, mas já posso adiantar que tem registros bem bacanas.

O Eduardo escolheu o trajeto seguindo pela General Rivera, a partir de Pocitos, até a Dezoito de Julho, quando seguimos reto em direção ao Mercado, que fica num dos extremos da cidade. Passamos por várias praças e prédios bonitos, porém um pouco mal cuidados.



Há lugares em que alguns recortes da paisagem urbana chegam a lembrar os edifícios parisienses, onde certamente os arquitetos buscaram inspiração.


Detalhe da Embaixada do Brasil

 No entanto, eles são rodeados de prédios mais modernos que nos fazem constatar como o senso estético decaiu com o passar dos tempos. Eu trocaria uns 20 prédios novos que vi por uma reforma neste sobrado cuja foto postei abaixo. Não é uma pena que uma construção com linhas tão interessantes possa ter sido deixado da maneira em que está? 



Infelizmente, essa constatação está longe de ser exclusividade de Montevidéu, onde eu diria até que o cuidado com as formas urbanas é bem mais apurado do que no Rio de Janeiro, em geral. Vide as famosas portas...

Um bom exemplo da involução arquitetônica do antigo e belo para o novo e pobre nós pudemos ver na Praça da Independência. De um lado, há o interessantíssimo Palácio Salvo, de 1928, de autoria do arquiteto italiano Mario Palanti. 


Do extremo oposto, tem um prédio que eu classificaria como espigão-espelhado-favela, que mais parece uma versão ampliada e ainda mais feia do que o prédio da Av. Central, no centro do Rio. Não tenho como ilustrá-lo, pois me recusei a tirar fotos. Preferi ter de recordação apenas o que a praça tem de bom, pois, fora o tal Av. Central uruguaio, ela realmente é muito bonita.




Monumento ao General Artigas e Torre Executiva

Em volta da escultura do General Artigas, há, além do Palácio Salvo, outros prédios interessantes, como a Torre Executiva, sede do Poder Executivo uruguaio (foto acima), o Palácio Esteves e o Teatro Solis.


Também há a Porta da Cidadela, por onde passamos em direção ao Mercado. Este último é um capítulo à parte. Além de também ser uma construção interessante, é um centro gastronômico imperdível, ao menos, pra quem não é vegetariano.


O churrasco uruguaio, como a maior parte das pessoas sabe, é uma das grandes atrações do país. Eles não usam carvão, mas lenha (que pode ser vista à venda em várias lojas na cidade, inclusive), o que confere um sabor especial à carne, e em grelhas inclinadas, que fazem escorrer a gordura.





Paramos no El Palanque, que fica na parte externa do Mercado e nos foi muito bem indicado. Estávamos morrendo de sede, portanto, já começamos pedindo novamente a ótima cerveja Patricia. Beliscamos uns croquetes (bastante crocantes e recheados com muito queijo) com molho picante. 



De prato principal, havíamos escolhido o Lomo, que o guia indicava como o melhor tipo de carne. No entanto, o garçom sugeriu a picanha. Eu retruquei que a picanha era bem comum no Brasil e que gostaríamos de provar outro corte, mas ele contra-argumentou que não era como a picanha uruguaia. Quem pode ir contra a auto-confiança de um garçom super enérgico, nos seus sessenta e muitos anos, que tem cara de conhecer o negócio como ninguém? Fomos de picanha com papas fritas e molho chimichurri e não nos arrependemos. Estava espetacular! Saborosíssima e muito macia.


Curiosamente, as guarnições de vegetais, que não fossem as batatas, eram as mais caras do cardápio. Não à toa, eram elas que acompanhavam a maior parte das refeições dos... brasileiros! Não precisa nem dizer que a cidade está repleta de brazucas.

Ainda assim, foi possível ver um grupo de homens de terno e gravata que faziam um lauto almoço à base de parrilla, bem como outras pessoas que também pareciam locais. No final das contas, o Mercado parece ser daqueles locais que atraem tanto turistas, quanto nativos. Melhor assim!

Estávamos com os pés doendo de tantas andanças e, depois de uma breve caminhada até a praça da Constituição (esta, bastante bem cuidada), pegamos um táxi na Praça da Independência até o hotel (cerca de R$15,00, apenas, por uns bons 20 minutos de corrida).






Cogitávamos a ida a um show de Tango, depois de um cochilinho básico, mas as horas de sono ainda estavam atrasadas e perdemos a hora. Foi o tempo de atualizar o blog e comer uma pizza no Fellini, restaurante italiano próximo ao Massini Suites.

No Fellini, pudemos quase matar a vontade do show de Tango, pois houve uma breve apresentação de bailarinos. Eles chamaram alguns fregueses pra acompanhá-los ao que eu e Eduardo fizemos questão de poupar os pés dos pobres professores, evitando qualquer contato visual.

Acompanhando a pizza, a parcela uruguaia da refeição ficou no vinho Tannat, típico do país e bastante saboroso, com um sorvete de doce de leite para sobremesa.

Amanhã, decidimos pegar o ônibus turístico pra fazer um tour, desta vez, confortavelmente sentados. Rs.


Hasta mañana!

2 comentários:

  1. As fotos estão ótimas, só faltaram vcs dois nelas!

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  2. Como eu disse no post, esta viagem está super low profile. O Eduardo pediu pra acrescentar que essa foi nossa desculpa pra não registrar um "bad hair day" dos dois viajantes. Hahahaha!

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