Nossa programação inicial era de começarmos nosso passeio em
Punta del Este às 11h e, para tanto, teríamos de sair de Montevidéu por volta
das 9h. Mas a preguiça foi muita e acabamos só chegando no terminal de Tres
Cruces pouco antes das 11h.
As passagens pra Punta não são caras, em torno de 20 pesos
uruguaios e bem fáceis de comprar, pois há várias companhias e em horários
frequentes. Vimos aquela que oferecia a partida mais próxima, compramos água e
alfajores pra um café da manhã improvisado e lá fomos nós.
Estou absurdamente preguiçosa nesta viagem e capotei
praticamente durante o percurso todo, sem nem ter tocado no livro que havia
levado pra aproveitar o tempo até Punta. Acordei uns 15 minutos antes de
chegarmos, com o Eduardo me chamando atenção pras construções de Maldonado,
onde era a primeira parada do ônibus.
Chegamos pouco depois das 13h, numa Punta del Este nublada
e bastante vazia. Na estação, depois que voltei do banheiro, o Eduardo já tinha
em mãos o mapa da cidade e o percurso que faríamos a pé.
Apesar do tempo carregado e do vento, demos sorte de não
estar chovendo. Providencialmente, eu estava usando um suéter de lã, mais uma
capa e o Eduardo, camisa de mangas compridas e blazer, de maneira que foi
possível caminhar por toda a Rambla sem sentir frio algum.
A península é banhada, de um lado, pelo rio da Prata e, do
outro, pelo oceano Atlântico, intercalando praias com areia e rochas ao longo
da costa. Alguns bairros tinham predominância por casas, que pareciam bastante
luxuosas, e o Eduardo observou como os uruguaios, de uma forma geral, não
constroem muros altos em suas propriedades. Essa era uma observação que ele já
havia feito em Montevidéu, onde a arquitetura exposta das casas conferia um
aspecto mais simpático ao visual urbano da cidade. Em Punta, a maior parte dos
muros que vimos era baixa, provavelmente para cercar a propriedade e impedir
que animais de estimação fugissem ou se perdessem.
Com medo de repetirmos o erro do dia anterior, quando todos
os restaurantes em que quisemos ir para o almoço já estavam fechados, resolvemos fazer dessa a
nossa primeira parada. Logo achamos um restaurante que nos havia sido bem
indicado, e cuja decoração - com bons talheres
e belo pano de mesa - denotavam se tratar de um local sofisticado, chamado Los de Tere. Tomamos outra Patricia, de entrada, pedi uma tortilla chamada de Moderna e o Eduardo uma hamburguesa de
camarões. Ambos muito saborosos.
De prato principal, eu repeti o pedido dele no
Francis de Montevidéu e fui de risoto de camarões. O Eduardo pediu um filé
chamado “Había uma vez”, com uma capa crocante que estava divina. Além de uma
provinha da carne, herdei a salada de folhas que veio acompanhando o filé.
Delícia!
Pra finalizar, tomei o licor de Tannat de sobremesa,
enquanto o Eduardo experimentou uma sobremesa de chocolate.
Continuamos o passeio e logo constatamos que não seria
possível ver a Punta del Este conhecida como balneário fervilhante de gente e
animação, passarela de comparação entre as beldades uruguaias, argentinas,
brasileiras e o tanto mais do mundo que vem se bronzear nas areias cisplatinas
(ou do Atlântico Sul, dependendo do lado em que a beldade for à praia). Com a
baixa estação, a maior parte das casas e apartamentos estava fechada, o que,
com o dia cinza e a cidade vazia, deu uma certa impressão de cidade fantasma.
Não que isso seja
propriamente ruim. Nem eu nem o Eduardo estamos afeitos a lugares cheios e
ambos apreciamos a paisagem do mar escuro batendo contra as pedras e as faixas
de areia desertas de banhistas, tendo apenas um ou outro morador passeando com
um cachorro, fazendo exercício ou mesmo pescando. Curtimos muito a caminhada em
meio àquela paisagem poética e romântica.
Em todo caso, nossos compatriotas sempre nos lembravam se
tratar o local de um balneário turístico,
pois eventualmente cruzávamos com ônibus de excursionistas brasileiros. Como de costume, desembarcavam
nos “points”, que logo eram tomados por homens trajando indefectíveis bermudas
e camisetas regata com as marcas grifadas em letras colossais, no melhor estilo
Faustão, e, muitas vezes, as legítimas havaianas. Eram acompanhados por suas
mulheres com cabelos de cortina, calças legging, tênis, bolsa Prada e óculos
Chanel. Ao avistarem Porche ou Ferrari por perto, logo corriam em sua direção, fazendo
graça ao tirarem fotos em poses ostensivas e caricaturais feições de dono.
Depois, acumulavam-se impacientemente à
porta do ônibus, esperando a vez de subir, tremendo de frio em seus braços
cruzados e as mulheres descabeladas, sempre reclamando do efeito do vento.
(Nem preciso dizer que este último parágrafo foi escrito a
quatro mãos)
A Rambla é bem cuidada, tendo algumas obras de arte ao longo
do percurso, restaurantes sofisticados e diversos deques pra apreciação da
vista. Vale o destaque para a âncora do navio inglês Ajax, que participou da
Batalha do Rio da Prata, sobre a qual comentei no post anterior e que, nesse
monumento, foi chamada de Batalha de Punta del Este. Só achamos curioso o fato
de essa âncora ser de um navio inglês, porque tudo o que pesquisamos a respeito
disse que nenhuma embarcação inglesa havia afundado.
Paramos em outra filial da sorveteria Freddo pra mais uma
prova do helado dulce de leche tentación. No caminho pra rodoviária, entramos
num cassino, mas ele só tinha disponíveis as máquinas caça níqueis, pois as
mesas de roleta estavam vazias e sem nenhum crupiê. Apostamos 50 pesos num caça
níquel com motivos havaianos, que esgotou nossa paciência na metade do jogo e
fomos embora.
Ainda tiramos algumas fotos da famosa mão, um dos símbolos
de Punta del Este e pegamos o ônibus das 19h pra Montevidéu, onde capotei
novamente até chegarmos à região metropolitana.
Chegamos pouco antes das 21h, onde subimos para o shopping
que fica na parte superior do terminal de Três Cruces e jantamos no Mc
Donald´s.
Deixamos tudo mais ou menos pronto pra sair no dia seguinte,
pois, às 10h, estava marcado de chegar o carro que alugaríamos pra viagem até
Colonia del Sacramento.
Hasta Luego!
Um pequeno detalhe que estragou o relato... no final do penultimo parágrafo... rs
ResponderExcluirBoa viagem, continuem se divertindo e partilhando com nós, pobres mortais...
Nem só de glamour vive uma viagem, né? Afinal, tem de rolar um equilíbrio no orçamento. Almoço com estilo tem por contraponto alguma McGororoba, infelizmente! Rs. Beijos.
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