domingo, 20 de outubro de 2013

Dia 18/10: Passeio em Punta del Este

Nossa programação inicial era de começarmos nosso passeio em Punta del Este às 11h e, para tanto, teríamos de sair de Montevidéu por volta das 9h. Mas a preguiça foi muita e acabamos só chegando no terminal de Tres Cruces pouco antes das 11h.

As passagens pra Punta não são caras, em torno de 20 pesos uruguaios e bem fáceis de comprar, pois há várias companhias e em horários frequentes. Vimos aquela que oferecia a partida mais próxima, compramos água e alfajores pra um café da manhã improvisado e lá fomos nós.


Estou absurdamente preguiçosa nesta viagem e capotei praticamente durante o percurso todo, sem nem ter tocado no livro que havia levado pra aproveitar o tempo até Punta. Acordei uns 15 minutos antes de chegarmos, com o Eduardo me chamando atenção pras construções de Maldonado, onde era a primeira parada do ônibus.

Chegamos pouco depois das 13h, numa Punta del Este nublada e bastante vazia. Na estação, depois que voltei do banheiro, o Eduardo já tinha em mãos o mapa da cidade e o percurso que faríamos a pé.

Apesar do tempo carregado e do vento, demos sorte de não estar chovendo. Providencialmente, eu estava usando um suéter de lã, mais uma capa e o Eduardo, camisa de mangas compridas e blazer, de maneira que foi possível caminhar por toda a Rambla sem sentir frio algum.


A península é banhada, de um lado, pelo rio da Prata e, do outro, pelo oceano Atlântico, intercalando praias com areia e rochas ao longo da costa. Alguns bairros tinham predominância por casas, que pareciam bastante luxuosas, e o Eduardo observou como os uruguaios, de uma forma geral, não constroem muros altos em suas propriedades. Essa era uma observação que ele já havia feito em Montevidéu, onde a arquitetura exposta das casas conferia um aspecto mais simpático ao visual urbano da cidade. Em Punta, a maior parte dos muros que vimos era baixa, provavelmente para cercar a propriedade e impedir que animais de estimação fugissem ou se perdessem.

Com medo de repetirmos o erro do dia anterior, quando todos os restaurantes em que quisemos ir para o almoço já  estavam fechados, resolvemos fazer dessa a nossa primeira parada. Logo achamos um restaurante que nos havia sido bem indicado, e cuja decoração  - com bons talheres e belo pano de mesa - denotavam se tratar de um local sofisticado, chamado Los de Tere. Tomamos outra Patricia, de entrada, pedi uma tortilla chamada de Moderna e o Eduardo uma hamburguesa de camarões. Ambos muito saborosos. 




De prato principal, eu repeti o pedido dele no Francis de Montevidéu e fui de risoto de camarões. O Eduardo pediu um filé chamado “Había uma vez”, com uma capa crocante que estava divina. Além de uma provinha da carne, herdei a salada de folhas que veio acompanhando o filé. Delícia!



Pra finalizar, tomei o licor de Tannat de sobremesa, enquanto o Eduardo experimentou uma sobremesa de chocolate.

Continuamos o passeio e logo constatamos que não seria possível ver a Punta del Este conhecida como balneário fervilhante de gente e animação, passarela de comparação entre as beldades uruguaias, argentinas, brasileiras e o tanto mais do mundo que vem se bronzear nas areias cisplatinas (ou do Atlântico Sul, dependendo do lado em que a beldade for à praia). Com a baixa estação, a maior parte das casas e apartamentos estava fechada, o que, com o dia cinza e a cidade vazia, deu uma certa impressão de cidade fantasma.



 Não que isso seja propriamente ruim. Nem eu nem o Eduardo estamos afeitos a lugares cheios e ambos apreciamos a paisagem do mar escuro batendo contra as pedras e as faixas de areia desertas de banhistas, tendo apenas um ou outro morador passeando com um cachorro, fazendo exercício ou mesmo pescando. Curtimos muito a caminhada em meio àquela paisagem poética e romântica.






Em todo caso, nossos compatriotas sempre nos lembravam se tratar  o local de um balneário turístico, pois eventualmente cruzávamos com ônibus de excursionistas  brasileiros. Como de costume, desembarcavam nos “points”, que logo eram tomados por homens trajando indefectíveis bermudas e camisetas regata com as marcas grifadas em letras colossais, no melhor estilo Faustão, e, muitas vezes, as legítimas havaianas. Eram acompanhados por suas mulheres com cabelos de cortina, calças legging, tênis, bolsa Prada e óculos Chanel. Ao avistarem Porche ou Ferrari por perto, logo corriam em sua direção, fazendo graça ao tirarem fotos em poses ostensivas e caricaturais feições de dono. Depois, acumulavam-se impacientemente  à porta do ônibus, esperando a vez de subir, tremendo de frio em seus braços cruzados e as mulheres descabeladas, sempre reclamando do efeito do vento.

(Nem preciso dizer que este último parágrafo foi escrito a quatro mãos)

A Rambla é bem cuidada, tendo algumas obras de arte ao longo do percurso, restaurantes sofisticados e diversos deques pra apreciação da vista. Vale o destaque para a âncora do navio inglês Ajax, que participou da Batalha do Rio da Prata, sobre a qual comentei no post anterior e que, nesse monumento, foi chamada de Batalha de Punta del Este. Só achamos curioso o fato de essa âncora ser de um navio inglês, porque tudo o que pesquisamos a respeito disse que nenhuma embarcação inglesa havia afundado.




Paramos em outra filial da sorveteria Freddo pra mais uma prova do helado dulce de leche tentación. No caminho pra rodoviária, entramos num cassino, mas ele só tinha disponíveis as máquinas caça níqueis, pois as mesas de roleta estavam vazias e sem nenhum crupiê. Apostamos 50 pesos num caça níquel com motivos havaianos, que esgotou nossa paciência na metade do jogo e fomos embora.

Ainda tiramos algumas fotos da famosa mão, um dos símbolos de Punta del Este e pegamos o ônibus das 19h pra Montevidéu, onde capotei novamente até chegarmos à região metropolitana.



Chegamos pouco antes das 21h, onde subimos para o shopping que fica na parte superior do terminal de Três Cruces e jantamos no Mc Donald´s.

Deixamos tudo mais ou menos pronto pra sair no dia seguinte, pois, às 10h, estava marcado de chegar o carro que alugaríamos pra viagem até Colonia del Sacramento.


Hasta Luego!

2 comentários:

  1. Um pequeno detalhe que estragou o relato... no final do penultimo parágrafo... rs
    Boa viagem, continuem se divertindo e partilhando com nós, pobres mortais...

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  2. Nem só de glamour vive uma viagem, né? Afinal, tem de rolar um equilíbrio no orçamento. Almoço com estilo tem por contraponto alguma McGororoba, infelizmente! Rs. Beijos.

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